Conflito social obriga governo francês a recorrer a suas reservas de petróleo

AFP

A França começou a utilizar suas reservas estratégicas para enfrentar os problemas de abastecimento de combustível em consequência dos protestos contra o projeto de reforma da lei trabalhista, que afetam as refinarias, portos e transportes.

O bloqueio das refinarias e depósitos de combustível obrigou o governo a recorrer às reservas há dois dias, informou a União Francesa de Indústrias Petroleiras (Ufip), um anúncio que pode aumentar a inquietação da opinião pública e intensificar a pressão sobre o governo socialista do presidente François Hollande.

Seis das oito refinarias francesas estão paralisadas, total ou parcialmente, por movimentos de greve e vários depósitos de combustível estão bloqueados por grevistas e manifestantes contrários ao projeto da nova lei trabalhista.

De acordo com o secretário de Estado de Transportes, Alain Vidalies, 20% dos 12.000 postos de gasolina do país enfrentam "dificuldades" de abastecimento.

O conflito social, que também afeta os transportes e os portos, pode abalar a produção de energia elétrica, após uma convocação de greve para quinta-feira nas centrais nucleares.

O porta-voz do governo, Stéphane Le Foll, descartou no momento a ideia de convocar funcionários das refinarias em greve, medida solicita por vários políticos da oposição de direita para evitar a falta de gasolina.

"O Estado e o governo farão o necessário para liberar um certo número de refinarias ou de reservas para garantir o abastecimento dos franceses", se limitou a afirmar Le Foll.

Na madrugada desta quarta-feira, a polícia atuou para desbloquear um depósito de combustível do norte do país, que havia sido fechado por sindicalistas.

Outro depósito em Brest (noroeste) também foi liberado.

Na terça-feira, a intervenção da polícia contra os grevistas que bloqueavam uma refinaria e um depósito de combustíveis provocou a revolta do sindicato CGT, que anunciou o aumento da mobilização.

Dois dos principais portos franceses, Marselha (sul) e Le Havre (norte), podem aderir ao movimento social.

"Depois de cinco ou seis dias, não teremos mais combustível nos aeroportos de Paris", advertiu o prefeito da cidade, Edouard Philippe.

O tráfego ferroviário também estava prejudicado nesta quarta-feira.

O projeto de uma nova lei trabalhista, contra a qual são organizadas manifestações e greves há mais de dois meses, foi aprovado em primeira leitura sem a votação dos deputados, depois que o governo invocou um artigo da Constituição que permite a adoção de um texto sem debate ou voto parlamentar, exceto quando há uma moção de censura ao governo.

O governo afirma que o projeto pretende dar maior flexibilidade às empresas para lutar contra o desemprego.

O texto dá mais poderes às empresas em termos de organização do tempo de trabalho e de demissões.

Os críticos consideram que aumentará a precariedade do mercado de trabalho e que a prioridade concedida à negociação das empresas sobre as negociações com sindicatos significará que a lei não será a mesma para todos os trabalhadores.

.