WASHINGTON – Barack Obama viaja no final de maio para Hiroshima, tornando-se o primeiro presidente dos Estados Unidos em exercício a visitar esta cidade japonesa destruída por uma bomba atômica americana em 1945. O objetivo da viagem não é pedir desculpas pela decisão, tomada há 71 anos, de recorrer à arma nuclear, mas oferecer "uma perspectiva focalizada em nosso futuro compartilhado", destacou a Casa Branca ontem, consciente do caráter sensível desta visita altamente simbólica.
Os ataques contra Hiroshima, que resultaram em 140 mil mortos, e, três dias depois, contra Nagasaki, com 74 mil mortos, aceleraram a capitulação do Japão e o fim da Segunda Guerra Mundial, em 15 de agosto de 1945. A agenda de Obama inclui a ida ao Parque do Memorial da Paz, um lugar para lembrar do inferno nuclear que devastou a cidade quando o bombardeiro americano Enola Gay lançou a bomba atômica às 8h15 de 6 de agosto de 1945.
O presidente americano chega a Hiroshima em 27 de maio, depois de participar da cúpula de chefes de Estado e de Governo dos países do G7, em Ise-Shima, pequena cidade do Centro do arquipélago. "O presidente fará uma visita histórica a Hiroshima com o primeiro-ministro (Shinzo) Abe, para ressaltar seu compromisso com a paz e com a segurança em um mundo sem armas nucleares", declarou o governo americano, referindo-se a quarta e, provavelmente, última visita de Obama ao Japão antes de deixar a Casa Branca em janeiro de 2017.
Saudação De Tóquio, Abe saudou o anúncio da visita e destacou que será uma ocasião "para que Japão e Estados Unidos homenageiem todas as vítimas". "É uma decisão importante para um presidente dos Estados Unidos", completou. "Os Estados Unidos serão eternamente orgulhosos dos nossos dirigentes e dos homens e mulheres que serviram nas Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial", afirmou o assessor do presidente e vice-conselheiro de Segurança Nacional para Comunicações Estratégicas e Redação de Discursos, Ben Rhodes, em nota na qual explica a visita. "Sua causa era justa, e nós somos muito agradecidos a eles", reforçou. "Esta visita será uma ocasião para saudar a memória de todos os inocentes que perderam a vida nessa guerra", acrescentou.
A viagem de Obama será realizada alguns meses antes do 75° aniversário do ataque japonês contra a base americana de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, que levou os Estados Unidos a intervirem na guerra diretamente. A visita a Hiroshima faz parte de uma viagem do presidente norte-americano ao Vietnã e Japão, de 21 a 28 maio. O objetivo da viagem, segundo Josh Earnest, é aumentar a presença diplomática e econômica dos Estados Unidos na região.
O trajeto de Obama começará pelo Vietnã, onde se encontrará com autoridades para discutir a aprovação, ainda neste ano, da Parceria Transpacífico, que quer unir países banhados pelo Pacífico em uma agenda econômica e comercial comum. No Japão, Obama participará da última reunião do G-7 durante seu mandato. O G-7 é o grupo de nações mais industrializadas e desenvolvidas do mundo, formado pelos Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido.
Publicidade
Obama faz visita inédita a Hiroshima
Primeiro presidente dos EUA a visitar a cidade, o americano disse que viagem não significa um pedido de desculpas
Publicidade
