A disputa pela Palma de Ouro nunca foi algo fácil, mas a 69ª edição do Festival de Cannes, que começa na quarta-feira, tem uma seleção particularmente competitiva de alguns dos melhores cineastas do mundo.
O cartaz oficial do evento, que reproduz uma imagem da Vila Malaparte em Capri, retirada de "O Desprezo" (1963) de Jean-Luc Godard, foi espalhado por toda a Croisette, incluindo uma versão gigante na fachada do Palácio dos Festivais.
A cidade balneária mediterrânea dava os últimos retoques nos preparativos e no dispositivo de segurança, com centenas de policiais.
Do irlandês Ken Loach, de quase 80 anos, ao "menino prodígio" canadense Xavier Dolan, de apenas 27 - ambos adorados em Cannes -, a nata da Sétima Arte mundial se reunirá até 22 de maio para duas semanas do melhor cinema disponível no planeta.
De um total de 1.869 filmes enviados desde o início do ano, o diretor artístico Thierry Frémaux e seus auxiliares selecionaram 21 longas-metragens para a mostra oficial.
O festival começa amanhã à noite com a exibição de "Café Society", o filme mais recente de Woody Allen, com Kristen Stewart e Jesse Eisenberg, sobre a idade dourada de Hollywood.
A edição de 2016 marca o retorno do Brasil à disputa da Palma de Ouro, com o filme "Aquarius", segundo longa-metragem do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, ex-crítico de cinema. O filme tem como protagonista a atriz Sonia Braga, no papel de uma aposentada que resiste às mudanças a seu redor.
Candidatos insistentes
Alguns diretores já ganharam o Oscar e ambicionam a Palma de Ouro, como o iraniano Asghar Farhadi ("A Separação"), que apresenta "The Salesman", a história de dois atores cuja relação passa por problemas durante a interpretação da peça "A Morte do Caixeiro Viajante", de Arthur Miller.
Outros já venceram a Palma de Ouro duas vezes, caso dos irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne, que sonham com a terceira vitória com "La fille inconnue", a história de uma jovem médica que tem de lidar com a culpa.
O sentimento de culpa também é o protagonista invisível - a mãe que pensa no que deixou de fazer pela filha - de "Julieta", de Pedro Almodóvar, quinta tentativa do espanhol de vencer a Palma de Ouro, apesar de o diretor afirmar que pode viver sem a mesma.
O mais assíduo pretendente - 10 tentativas - é o americano Jim Jarmusch, considerado um filho do festival, que o viu conquistar a fama em 1984 com o prêmio Camera D'Or por "Estranhos no Paraíso". Dessa vez, ele apresenta "Paterson", com Adam Driver no papel de um motorista de ônibus poeta.
A Palma de Ouro será definida por um júri presidido pelo australiano George Miller e integrado por outros quatro homens e quatro mulheres.
Os organizadores anunciaram que a Palma de Ouro de honra dessa 69ª edição recompensará a trajetória do francês Jean-Pierre Léaud, de 71, ator fetiche de François Truffaut e protagonista de "La muerte de Luis XIV" do espanhol Albert Serra. Léaud encarna o "rei Sol" no filme de Serra que se estreia em 19 de maio em sessão especial do programa oficial.
A mulher protagonista
Muitos apontam como marca distintiva dessa edição a forte presença feminina em todas as mostras do festival, com filmes com temas que apontam o protagonismo da mulher.
O holandês Paul Verhoeven apresentará "Elle", uma história de reafirmação feminina diante de uma situação violenta. O filme levará mais uma vez ao tapete vermelho a atriz mais assídua de Cannes nos últimos anos, a francesa Isabelle Huppert.
Em "The Neo Demon", o dinamarquês Nicolas Winding Refn apresentará uma variação do gênero de vampiros ao redor da atriz Elle Fanning, que interpreta uma modelo, cuja beleza é cobiçada por outras mulheres de Los Angeles.
A francesa Nicole García apresentará "From the Land of the Moon", e a alemã Maren Ade, "Toni Erdmann". Já o sul-coreano Park Chan-Wook explora outros labirintos do universo feminino com "The Maidmen", uma suspense com pitadas de crueldade, atração lésbica, traição e loucura.
Talvez para compensar o cardápio com um pouco de testosterona, a organização programou a exibição do filme "Dois caras legais", de Shane Black, ambientado nos anos 1970, com Ryan Gosling e Russel Crowe.
Fora de competição também serão exibidos em Cannes os novos filmes de Jodie Foster ("Jogo do dinheiro"), Steven Spielberg ("O bom gigante amigo") e Robert de Niro ("Hands of Stone").
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