Um tribunal de Istambul colocou nesta sexta-feira sob tutela judicial o grande jornal Zaman, adversário feroz do presidente turco, o islâmico conservador Recep Tayyip Erdogan - anunciou a agência oficial de notícias Anatolia.
O grupo Zaman, que também é dono da agência de notícias Cihan, é conhecido por suas posições próxima ao imã Fethula Gulen, inimigo número um de Erdogan desde que explodiu um escândalo de corrupção.
As razões desta tutela, que se traduz na nomeação de vários administradores para a direção do grupo, não foram fornecidas pela agência Anatolia.
Dezenas de jornalista e empregados se reuniram na frente da sede do grupo, em Istambul, com cartazes a favor da liberdade de imprensa, segundo imagens transmitidas ao vivo pelo site da empresa.
Agora à noite, a Polícia fez uma operação de busca e apreensão no jornal Zaman. Bombas de efeito moral e jatos d'água foram usados pelos agentes para dispersar a multidão e invadir o prédio.
O presidente Erdogan acusa Gulen, de 74 anos, de ter originado as acusações de corrupção contra ele há dois anos e de ter criado um "Estado paralelo" destinado a revogá-lo do poder. Os partidários de Gulen negam as acusações.
Hoje, o governo americano pediu à Turquia que respeite os valores democráticos.
"Vemos isso como a última de uma série de ações judiciais e policiais preocupantes por parte do governo turco contra veículos de comunicação e outros críticos" ao governo, declarou o porta-voz do departamento de Estado dos EUA, John Kirby.
"Instamos as autoridades turcas a garantirem que suas ações defendam os valores democráticos universais consagrados em sua própria Constituição, incluindo a liberdade de expressão e especialmente a liberdade de imprensa", completou.
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