Prefeitos do mundo inteiro se mostraram dispostos nesta sexta-feira em Paris, em declaração conjunta, a trabalhar para alcançar um objetivo de 100% de energias renováveis em suas cidades antes de 2050.
Os quase mil prefeitos reunidos numa cúpula realizada na prefeitura da capital francesa, por iniciativa da prefeita parisiense, Anne Hidalgo, e do ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, alertaram que "o aquecimento global é um desafio comum".
"Continuar com a mesma trajetória de emissões de gases de efeito estufa terá consequências desastrosas para nossas crianças, para o meio ambiente e para a biodiversidade. Trabalhar pelo clima é o único caminho possível", diz a declaração conjunta adotada por cidades como Londres, Madri, Sydney, Rio de Janeiro, Bamako, Seul, Bruxelas, Estocolmo ou Chicago.
Os prefeitos, cujas cidades representam ao todo 600 milhões de pessoas, votaram o apoio a "objetivos ambiciosos (...) como a transição para uma energia 100% renovável" em suas cidades e a uma "redução de 80% das emissões de gases de efeito estufa de hoje a 2050".
Também se mostraram dispostos a reduzir 3,7 gigatoneladas de equivalentes de CO2, as emissões anuais de gases de efeito estufa nas zonas urbanas antes de 2030.
Isso significaria assumir, segundo o texto, "cerca de 30% da diferença prevista entre os compromissos nacionais atuais" e o nível de emissões de gases recomendada pelos especialistas para não superar o objetivo de limitar o aquecimento global a 2ºC.
As cidades "abrigam metade da população mundial e geram os dois terços de emissões mundiais de gases de efeito estufa, os representantes locais e regionais têm um papel essencial a desempenhar para garantir um futuro sóbrio em carbono", diz ainda o texto.
Os prefeitos, que querem assim "que sua voz seja ouvida", apresentarão o documento aos negociadores neste sábado em Le Bourget, onde está sendo realizada a Conferência do Clima de Paris (COP21).
Sem esperar uma votação efetiva, o Greenpeace França comemorou a ambição de chegar a 100% de energias renováveis até 2050.
Isso "mostra mais uma vez que os territórios são os mais avançados na transição energética. São os representantes locais que conhecem a realidade do terreno, que sabem o que é possível e quem abrem o caminho", declarou em comunicado Jean-François Julliard, diretor do Greenpeace França.
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