O Banco Central Europeu (BCE) reforçou nesta quinta-feira seu arsenal para estimular a economia da zona do euro e reativar a inflação, baixando a taxa de juros e ampliando seu programa de compra da dívida.
A instituição de Frankfurt rebaixou de -0,2% para -0,3% a taxa de depósitos com que remunera o dinheiro aos bancos, mas decidiu manter sua principal taxa em 0,05%, o mínimo histórico.
Decidiu ainda reforçar seu programa de compra de dívida, estendendo-o até 2017 e ampliando a taxa de quantidade de ativos da dívida que poderá comprar, informou o presidente do órgão, Mario Draghi.
Lançado em março, este programa, chamado de "QE", será estendido até março de 2017, afirmou Draghi, que acredita que o BCE injetará pelo menos 1,5 trilhão de euros na economia e ampliará suas compras para outros tipos de dívida emitida por regiões e administrações locais.
A decisão de rebaixar a taxa de depósitos, que é aplicada aos bancos que depositam seu excesso de liquidez no BCE durante 24 horas, significa que os bancos terão de pagar 30 centavos por cada 100 euros que depositem no BCE. Trata-se de uma medida de estímulo para que os bancos façam mais empréstimos aos particulares, incentivando o consumo e o investimento.
Os mercados financeiros reagiram imediatamente com quedas, enquanto o euro subia rapidamente, em um sinal de que esperavam medidas mais radicais.
A decisão de inundar de liquidez o mercado e de baixar os juros torna os investimentos em euros menos atraentes, o que impacta no valor da moeda única.
"O BCE não conseguiu cumprir as esperanças que havia suscitado", disse Jonathan Loynes, um analista da Capital Economics.
Antes do anúncio, Johannes Gareis, da Natixis, advertiu que "o mercado espera uma ação forte".
"Estamos fazendo mais porque funciona, não porque é um fracasso", assegurou Mario Draghi, em coletiva de imprensa pouco depois de anunciar a ampliação do programa.
Até agora, o BCE comprava por mês uma dívida no valor de 60 bilhões de euros, um programa que duraria até setembro de 2016 por um total de 1,14 trilhão de euros.
Draghi assegurou que o BCE está disposto a "calibrar" sua política, se aumentar o risco.
Draghi também afirmou que uma "ampla maioria" dos membros do conselho de governadores do BCE é favorável à medida, embora não haja unanimidade.
Já o BCE aumentou suas previsões de crescimento do PIB na zona do euro para 2015 e 2017, mas as rebaixou para os preços, que registram espiral deflacionária.
Afetada pela queda dos preços do petróleo, a inflação na zona do euro esteve estagnada até novembro, quando foi de 0,1%, bem distante da meta do BCE de mantê-la próxima de 2%.
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