O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, confirmou hoje (2) que estará em Brasília na próxima sexta-feira (4) com a presidente Dilma Rousseff. Em entrevista coletiva, ao lado da nova chanceler Susana Malcorra, Macri não antecipou os temas da conversa, mas deu a entender que a Venezuela pode ser um deles.
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Cristina Kirchner e Mauricio Macri acertam transição na ArgentinaArgentina tem novo presidente: o liberal da direita Mauricio Macri Dilma recebe hoje presidente eleito da ArgentinaA cláusula democrática prevê desde a aplicação de sanções comerciais atá a suspensão do país, acusado de romper a ordem democrática, mas precisa de um consenso para ser aplicada. Macri já havia comentado sobre sua participação na próxima reunião da cúpula do Mercosul, que ocorre no dia 21 de dezembro, na capital paraguaia, Assunção. Além da Argentina, compõem o bloco regional o Brasil, o Paraguai, o Uruguai e a Venezuela.
Já a presidente Dilma, ao conceder entrevista a jornalistas em Paris, onde participou da abertura da conferência do clima, na última segunda-feira (30), manifestou uma opinião diferente. Ela afirmou que não vai apoiar o uso da cláusula democrática, como pretende o argentino, com o intuito de retaliar a Venezuela. Segundo a presidenta, é necessário um fato determinado para que a medida seja adotada no bloco.
Ao ser perguntado sobre essa divergência e se ela seria abordada na audiência que ele terá com Dilma na sexta, Macri passou a palavra a sua chanceler. Susana Malcorra, que desde 2012 é chefe de gabinete do secretário-geral das Nações Unidas (ONU), foi elegante e não comentou nada sobre um possível tensionamento em torno do tema.
“Todo mundo sabe que vai ter eleição na Venezuela no dia 6. É importante a gente sentar e conversar sobre as eleições na Venezuela dentro de um contexto democrático”, disse Susana ao ser indagada se a relação entre Macri e Dilma já começava mal e referindo-se à conversa que os dois terão na sexta.
A Venezuela realiza eleições legislativas no próximo domingo para renovar 167 cadeiras no Congresso. Estão aptos a votar mais de 19 milhões de venezuelanos. Macri foi eleito no último dia 22 de novembro. Ele toma posse no próximo dia 10. A vinda ao Brasil é a primeira viagem dele a um país vizinho depois das eleições.