Jornal Estado de Minas

Bruxelas reabre escolas e estações de metrô após quadro dias

- Foto: LAURIE DIEFFEMBACQ/BELGA/AFP
Após quatro dias, Bruxelas reabriu nesta quarta-feira escolas, universidades algumas estações de metrô, apesar do alerta máximo para atentados terroristas continuar em vigor. Os locais receberam ajuda reforçada de segurança, incluindo policiais armados com metralhadoras.

O intuito da capital da Bélgica é restaurar o sentido de normalidade para a cidade. O alerta máximo deve permanecer em Bruxelas pelo menos até a próxima segunda-feira, a menos que ocorra algo importante, como a captura de suspeitos ligados aos ataques de Paris em 13 de novembro, de acordo com autoridades.

"Havia decidido não levar as crianças à escola hoje, mas mudei de opinião ontem à noite, durante o jantar. A vida deve continua", afirmou um pai de 47 anos que deixou os dois filhos na escola. "Um dos meus filhos afirmou que não queria levar um tiro, mas eu disse que havia militares para protegê-lo, que não aconteceria nada", completou, um pouco nervoso.

As autoridades decidiram manter o alerta de ataques terroristas em nível máximo em Bruxelas até a próxima segunda-feira, considerando que a ameaça é "séria e iminente", mas optaram por reabrir as escolas, fechadas na segunda-feira e terça-feira, e, progressivamente, a rede de metrô, fechada desde sábado.


Quase 300 policiais adicionais foram mobilizados para proteger as escolas de Bruxelas, além dos agentes já convocados na capital. O governo não revelou o total de oficiais em ação. Diante de uma escola francesa de Bruxelas, em um bairro rico ao sul da capital, soldados armados observaram a chegada de mais de 2.000 alunos.


"Não estamos tranquilos de maneira nenhuma", afirmaram Karole e Candice, que deixaram os filhos na escola de ensino fundamental do estabelecimento. Muitos questionam a reabertura das escolas após dois dias de fechamento, quando o nível de ameaça permanece no máximo.


Karol e Candice decidiram, no entanto, comprar telefones celulares para os filhos, com o objetivo de permanecer em contato durante o dia.

Nadia, mãe de um menino de 11 anos e de uma menina de 9, deixou os filhos em uma pequena escola de Haren, bairro afastado da zona sul de Bruxelas.


"Estamos tranquilos, mas olhamos ao redor. Todos são suspeitos. Nós, os muçulmanos, também somos alvos", disse. Nathalie, que mora no mesmo bairro, lamentou o fato de não ter sido autorizada a entrar na sala de aula de um jardim de infância com a filha. "Regras oficiais", disse o diretor.


"Tive pesadelos a noite toda", admitiu Fatima, mãe de uma menina do jardim de infância. Nas ruas de Bruxelas, o fluxo de veículos estava próximo do normal nesta quarta-feira, com direito aos tradicionais engarrafamentos. As estações de metrô, fechadas desde sábado, reabriram durante a manhã, mas de forma parcial e apenas até 22H00, ao invés de meia-noite como é habitual.


"O fluxo era normal", disse Muriel, que utilizou o metrô para chegar ao trabalho.

"Mas as pessoas pareciam mais contidas", constatou. "Keep calm and carry on" (Mantenha a calma e siga adiante) escreveu na primeira página o jornal La Libre Belgique, recuperando o lema do governo britânico durante a Segunda Guerra Mundial que também ganhou o mundo através da internet. (Com AFP e Agência Estado)

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