Jornal Estado de Minas

Pressão sobre mercado de petróleo com reservas recordes e grande oferta

O aumento das reservas de petróleo a um nível recorde pode aumentar a pressão sobre o mercado de petróleo que já conta com uma oferta excessiva e com o consumo será freado em 2016, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

Como o consumo continua sendo inferior à oferta, as reservas bateram um nível recorde de 3 bilhões de barris no final de setembro nos países ricos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

"Isso traz um certo conforto aos mercados mundiais, mas aumentará a pressão sobre o preço do petróleo em caso de inverno suave, sinônimo de menor demanda, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), que representa os interesses dos países industrializados consumidores.

Esse excedente foi gerado primeiro nos Estados Unidos com a emergência dos hidrocarbonetos de xisto. Depois se propagou para outras regiões da OCDE, como a Europa, e fora dela, como a China.

Este nível recorde das reservas oferece "uma proteção sem precedentes contra os conflitos geopolíticos ou inesperados cortes no abastecimento", ressalta a AIE, agência baseada em Paris.

"As previsões atuais apontam um inverno suave na Europa e nos Estados Unidos. Se isso acontecer, a inflação de reservas aumentará a pressão sobre um mercado onde reina uma oferta abundante", acrescentou.

O excesso de oferta de petróleo se debe, sobretudo, à ofensiva da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), liderada pela Arábia Saudita, que tenta defender suas cotas de mercado contra os hidrocarbonetos de xisto dos EUA, mesmo que isso represente uma queda dos preços.

Não se prevê que a Opep mude de estratégia durante sua próxima reunião, em 4 de dezembro em Viena, apesar de o barril de petróleo ter sido cotado a menos de 45 dólares no último fim de semana, o que significa uma queda de 60% do seu preço em comparação a meados de 2014.

Um excesso de oferta

Segundo a AIE, 97 milhões de barris diários (mbd) foram produzidos em outubro no mundo, 2 mbd a mais do que há um ano, graças a um aumento da produção nos países não Opep (58,69 mbd).

As previsões de demanda para este este ano e para o ano que vem foram ligeiramente à alta, a oferta continua sendo excessiva.

A AIE revisou para alta as suas previsões de consumo mundial de petróleo para 2015 e 2016, a 94,6 e 95,8 mbd respectivamente.

Esse número representa um aumento anual do consumo de 1,8 mbd em 2015, em grande medida impulsionado pelo apetite energético da Índia, antes de uma desaceleração no crescimento, a 1,2 mbd em 2016.

"O crescimento da demanda se aproxima (em 2015) de aproximadamente 2 mbd, um máximo em cinco anos, graças à Índia que cresce mais rápido em uma década. No entanto, o aumento da demanda é superada pela vigorosa produção da Opep e pela oferta que não cede dos países não Opep", destaca a AIE.

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