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Estado de Minas

Pescadores gregos temem pegar corpos de crianças migrantes em suas redes


postado em 11/11/2015 13:10

O drama de milhares de migrantes mortos em sua tentativa de chegar à Europa possui inúmeros aspectos, alguns sequer imaginados em meio a tanta tragédia.

"Temos medo de ir par o mar e pegar em nossas redes os corpos de crianças migrantes", confessa Christos Dimos, reproduzindo o sentimento de outros pescadores da ilha grega de Lesbos, que se encontra no cerne da crise migratória.

Ele também afirma ter medo de encontrar traficantes de seres humanos armados.

Segundo dados do Acnur, mais de 752.000 pessoas chegaram por via marítima na UE este ano -incluindo mais de 608.000 na Grécia e 140.200 na Itália- e 3.400 pessoas morreram afogadas ou desapareceram no mar.

Estas chegadas em massa mudaram a vida cotidiana dos pescadores de Lesbos, a principal porta de entrada dos migrantes na União Europeia (UE).

Quando superam o medo e saem para o mar, os pescadores recolhem diariamente destroços de embarcações afundadas ou encalhadas.

"Os pedaços de madeira e plástico dos barcos estragam nossas redes. Mas acima de tudo, não conseguimos pagar a gasolina. Saímos pouco e vendemos pouco, é um círculo vicioso", explica Christos, que viveu toda a sua vida no pequeno porto de Molyvos, no norte da ilha.

Nikos Katakouzinos, pescador do povoado vizinho de Skala Sykamineas, está preocupado com as consequências ecológicas de longo prazo.

"A gasolina, o óleo, peças de plástico afundam no mar e poluem as águas ricas em peixes. Talvez com o tempo, vamos ter matado toda a vida marinha e teremos que mudar de emprego ou nos mudar", lamenta.

Salvamento de migrantes

No entanto, na hora que precisam salvar migrantes prestes a afogar-se, os pescadores esquecem as suas preocupações.

"Quando alguém vê um barco afundando com crianças (...) tem a obrigação de agir", diz Christos.

"Nossa prioridade é salvar as pessoas. Nem nos lembramos de nossas dificuldades econômicas", afirma.

Em 28 de outubro, em frente à Lesbos, o naufrágio de um barco de madeira deixou 29 mortos, incluindo 14 crianças, enquanto 274 pessoas foram salvas. O evento deixou uma memória dolorosa para os pescadores.

"Eu nunca vi uma tragédia desta magnitude e o inverno está apenas começando. Muitas pessoas ainda podem se afogar", afirma Christos.

Em contrapartida, em 30 de outubro, eles conseguiram salvar 200 pessoas que estavam afundando a poucos metros de Skala Sykamineas.

Nikos esteve na linha de frente: "Eu não tinha saído para o mar, tinha uma tempestade (...) Mas, por volta das sete horas, quando passava pelo porto, vi uma embarcação que estava afundando. Fui sem pensar, apesar de ser arriscado".

"Nós conseguimos levar todos para a borda. Esta manhã, as coisas correram bem. Eles estavam todos sãos e salvos", acrescenta.

"Infelizmente, salvar migrantes tornou-se rotina nesta área", lamenta.

Na quinta-feira, a ilha de Lesbos foi palco de manifestações contra a política europeia de imigração.

"O Mar Egeu está cheio de migrantes mortos. Europeus assassinos de povos", podia ser lido em uma faixa pendurada por um grupo de manifestantes em frente ao prédio da prefeitura.


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