Jornal Estado de Minas

Número de mortos em terremoto pode subir quando soldados alcançarem regiões remotas

Estudantes rezam pelas vítimas da tragédia - Foto: BASIT SHAH / AFP
O número de vítimas do terremoto que atingiu o Sul da Ásia nessa segunda-feira pode ser ainda maior. Até o fim do dia, foram contabilizados 280 mortos no Paquistão, Afeganistão e Índia, mas segundo as autoridades, as forças de apoio ainda não conseguiram chegar em áreas remotas nos países, onde pode haver outras vítimas.

O governo do Paquistão começou a enviar ajuda por meio de helicópteros e caminhões até as áreas mais atingidas. O ministro de Informação do Paquistão, Pervez Rashid, afirmou que o país não vai emitir nenhum apelo de ajuda para a comunidade internacional, pois o Paquistão tem os recursos necessários para lidar com o trabalho de busca e resgate. Ele também agradeceu ao primeiro-ministro da Índia por oferecer apoio.

Rashid declarou que as autoridades civil e militar do Paquistão estão fazendo o seu melhor para ajudar todas as vítimas do terremoto. “Nós temos recursos suficientes para lidar com a situação. Nossa prioridade máxima é ajudar os necessitados”, disse em uma coletiva de imprensa. O ministro ainda afirmou que Sharif está voltando ao país, após finalizar visita aos Estados Unidos.

Terremoto destruiu imóveis e deixou desabrigados - Foto: EHSAN ULLAH / AFPO Paquistão citou ao menos 214 mortos e 1.800 feridos, segundo um boletim elaborado com base nos dados divulgados por autoridades locais e provinciais. "Foi terrível, parecia 2005", declarou uma senhora moradora de Islamabad, onde alguns edifícios foram danificados.

Há dez anos no Paquistão, em 8 de outubro de 2005, um terremoto deixou 75.000 mortos e forçou 3,5 milhões de pessoas a deixar suas casas.Mas naquela época o epicentro foi mais profundo, tornando as réplicas mais destrutivas.

O exército paquistanês foi mobilizado, todos os hospitais colocados em alerta e helicópteros e equipamentos estão sendo preparados para as ações de resgate.

O chefe do governo da província de Khyber Pakhtunkhwa (North West), uma das províncias mais afetadas, advertiu que a região é uma das que podem contabilizar outras vítimas. "A província inteira está em alerta, e os hospitais estão em estado de emergência, mas é muito cedo para fornecer uma avaliação" disse o ministro Pervez Khattak, acrescentando que a sua província é "remota e montanhosa". "Eu nunca senti um tremor tão forte", relatou um residente de Peshawar (noroeste do Paquistão), Mohammad Rehamn, de 87 anos. "Foi realmente enorme".

O epicentro do tremor fica na província pouco povoada de Badakhshan, que faz fronteira com o Paquistão, o Tajiquistão e a Índia. O local fica 73 quilômetros ao sul da capital provincial, Fayzabad. O chefe do Exército do Paquistão, general Raheel Sharif, determinou que tropas seguissem até as áreas afetadas.

O fenômeno também foi sentido na capital indiana, Nova Délhi, ainda que não tenha havido registro de estragos. Em Srinagar, principal cidade da parte controlada pela Índia da Caxemira, os tremores duraram pelo menos 40 segundos.
(Com AFP)
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