“A liberdade é uma realidade”
“Eu ficaria muito feliz.” Assim Abdessattar Ben Moussa, presidente da Liga Tunisiana de Direitos Humanos (LTDH, pela sigla em francês), respondeu ao pedido de entrevista. “O prêmio vai para todos os tunisianos”, declarou, por sua vez, Mohamed Fadhel Mahfoudh, presidente da Ordem dos Advogados da Tunísia. Por telefone, ambos falaram com exclusividade sobre a importância do Nobel da Paz como forma de coroar as esforços do Quarteto de Diálogo Nacional para levar a democracia representativa a um país castigado por 23 anos de ditadura de Zine El Abidine Ben Ali. O regime erodiu os direitos humanos e levou as instituições do país à derrocada. Mahfoudh creditou a honraria a todos os tunisianos. “Esta é uma mensagem muito boa para todos os povos que têm dificuldades”, disse. Ben Moussa conta que a LTDH foi fundada em 1977, se impôs aos obstáculos criados pelo regime de Ben Ali e ajudou a redigir a Constituição. “O diálogo foi o único caminho para a democracia”, reforçou o advogado. Além deles, Houcine Abassi e Wided Bouchamaoui, que representam o Sindicato Geral dos Trabalhadores Tunisiano (UGTT) e o Sindicato Tunisiano da Indústria, do Comércio e do Artesanato (Utica), respectivamente, também foram procurados pela reportagem.
O que representa o Prêmio Nobel da Paz para a sua organização? Esperava por isso?
Mohamed Fadhel Mahfoudh: Não. Ninguém imagina que pode ganhar tal prêmio. Mas nós estamos orgulhosos por esse prêmio e achamos que a Tunísia demonstrou uma transição democrática muito boa. Nós achamos que o prêmio vai para todos os tunisianos, não somente para o Quarteto. O prêmio vai aumentar a democracia e a liberdade. Estamos orgulhosos. Creio que os tunisianos estão se sentindo assim também.
Abdessatar Ben Moussa: É uma coisa boa para mim e para todo o país. Para toda a África também, porque é a primeira vez que uma organização de direitos humanos e outras entidades (do continente) são consagradas com um prêmio pela busca da paz.
Qual foi o papel desempenhado pela sua entidade no processo de diálogo na Tunísia?
Mohamed Fadhel Mahfoudh: Nós somos uma grande organização na Tunísia, que tem credibilidade histórica e tem se baseado na paz entre a sociedade civil e a classe política.
Abdessatar Ben Moussa: A Liga Tunisiana dos Direitos Humanos (LTDH) foi criada em 1977. Esta foi a primeira liga em uma nação árabe da África. Durante a época de (Zine El Abidine) Ben Ali, nós não podíamos trabalhar. A liga foi um importante movimento militante. Nós começamos a trabalhar muito bem ao lado de outras organizações.
Poderia enumerar os obstáculos para que o seu país alcançasse o atual grau de democracia?
Mohamed Fadhel Mahfoudh: A Tunísia vai pelo caminho da democracia, a liberdade é uma realidade. Essa é uma mensagem para todo mundo e para todas as pessoas. O estabelecimento da democracia foi algo difícil. Há alguns anos, a sociedade civil e a classe política tiveram um papel muito bom para fundar a democracia, da qual temos orgulho agora.
Abdessatar Ben Moussa: Na época de Ben Ali, a Liga militou pelos direitos humanos, pela democracia e pelo fim da opressão. Ben Ali fechou todas as entidades de direitos humanos, afetando nossa privacidade para trabalhar. O diretor do comitê era impedido de viajar. Havia uma série de dificuldades. Depois da revolução, nós participamos da transição e da redação da Constituição.
A Tunísia é um exemplo de democracia representativa na África?
Mohamed Fadhel Mahfoudh: Sim, essa é a nossa esperança, para todas as pessoas que experimentam dificuldades por conta de problemas políticas. Esperamos que todas as adversidades sejam sanadas com compromisso.
Abdessatar Ben Moussa: Eu acho que o diálogo, a experiência do Quarteto, foi uma boa coisa para a Líbia, para a Síria e para a África. Foi o único caminho para a democracia. Não havia outra forma de alcançar a democracia. A democracia é uma coisa boa contra o terrorismo.
De que modo o Nobel da Paz pode ajudar a Tunísia a obter a prosperidade?
Mohamed Fadhel Mahfoudh: Esta é uma mensagem muito boa para todos os povos que têm dificuldades, é uma mensagem positiva. Eu acho que a Tunísia vai investir no simbolismo desse prêmio para ter prosperidade.
Abdessatar Ben Moussa: Há várias coisas. Por exemplo, o processo de reconciliação. Há um problema de conciliação no país. A sociedade civil e o nosso Quarteto podem trabalhar nesse sentido. A legislação também pode atuar em conformidade com a Constituição. Também pontuaria o respeito aos direitos humanos. O Quarteto pode trabalhar de várias maneiras. A sociedade civil pode trabalhar rumo a um bom futuro para a Tunísia.
