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Estado de Minas

Zona do euro volta à deflação


postado em 30/09/2015 17:46

A zona do euro voltou a cair em deflação depois de um respiro de cinco meses, uma má notícia para o Banco Central Europeu (BCE), que está novamente sob pressão. Os analistas, entretanto, preveem que os preços voltarão a subir no fim do ano.

Os preços sofreram queda de 0,1% ao ano em setembro, informou nesta quarta-feira a agência de estatística Eurostat. A Alemanha, maior economia do bloco, tece uma queda de preços de 0,2% e a Espanha, de 1,2%. Os analistas preveem uma inflação estável (0%) na zona do euro.

Paralelamente, a quantidade de desempregados caiu somente em 1.000 no mês de agosto, deixando a taxa em 11%, inalterada em relação a julho.

"É uma pressão adicional sobre o BCE para que aumente seu programa de compra de ativos", estimou Jack Allen, da Capital Economics.

O BCE, que tem como meta manter o nível da inflação um pouco abaixo de 2%, comprou desde março cerca de 60 bilhões de euros em dívida por mês. O "QE", acrônimo anglo-saxão que designa este programa, prevê um total de 1,14 trilhão de euros em compras de ativos até setembro de 2016.

Diante da inflação fraca e de um crescimento sem vigor, o instituto monetário já levantou a possibilidade de estender o programa para depois de 2016 "se for necessário".

A agência de classificação de risco Standard & Poor's assegura que o BCE deverá estender seu programa "provavelmente até meados de 2018. As compras podem chegar a 2,4 trilhões de euros, mais do que o dobro do montante inicial", afirmou nesta quarta-feira ao publicar suas previsões para a zona do euro. Não se sabe, contudo, quando o BCE pisará no acelerador.

Para Johannes Gareis da Natixis, o cenário mais provável seria um anúncio em dezembro, quando o instituto monetário publicará suas novas previsões econômicas para a região.

Embora o BCE esteja novamente sob pressão, o horizonte é menos sombrio do que no início do ano. "É pouco provável que a deflação apresente perigo na zona do euro", ressalta o economista. A inflação de setembro (sem contar energia, alimentos, bebidas alcoólicas e cigarro) permaneceu estável, em 0,9%.

Sem surpresa, os preços da energia teve uma queda mais acentuada em setembro (-8,9% contra -7,2% no mês anterior).

Entre os outros componentes da inflação, os setores de alimentos, álcool e tabaco registraram em setembro a alta anual mais elevada (1,4%, comparado ao 1,3% de agosto), seguido de serviços (1,3%) e bens industriais não energéticos (0,3%).

"Mario Draghi, presidente do BCE, deverá lidar com uma inflação próxima de zero durante vários meses, com o setor de energia pesando sobre os preços. A partir de dezembro a energia voltará a ser um fator menos importante, o que deve permitir um recuo entre 0,5% e 1% da evolução de preços", disse Teunis Brosens, analista de ING.

A reativação da economia, o nível ainda fraco do euro e a possível alta dos preços do petróleo podem reverter a tendência, segundo os observadores.

O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, está nessa direção. "A política monetária deve olhar além das flutuações da inflação vinculadas aos preços da energia, já que eles são temporários e a conjuntura se reforça pelo aumento do poder aquisitivo", afirmou na terça-feira em uma reunião na Alemanha.

"Contrariamente ao debate de janeiro, a recuperação econômica na zona do euro se reforçou desde então. O medo de deflação, que já era exagerado, continuou se dissipando", avaliou o governador do BCE, conhecido por suas posições conservadoras.


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