Jornal Estado de Minas

Trabalhistas britânicos realizam congresso marcado pela divisão

O Partido Trabalhista britânico realiza a partir de domingo seu primeiro congresso depois da eleição como líder de Jeremy Corbyn, um representante de ala mais esquerdista que não é visto com bons olhos por parte do partido.

Eleito por uma grande maioria com um programa de antiausteridade para encabeçar o principal partido de oposição, o adversário do primeiro-ministro Tony Blair falará na terça-feira no congresso que acontece em Brighton, sul da Inglaterra.

Ao contrário das primárias, no entanto, Corbyn não tem garantido um triunfo, pois tem por um lado os deputados fies a Blair e seu Novo Trabalhismo centrista, e por outro as pessoas que cobram dele a radicalização das esquerdas.

"Corbyn tem que encontrar um meio termo entre render-se incondicionalmente aos deputados ou criar inimizade com eles", afirmou Alex Callinicos, analista político do King's College de Londres.

Kim Howells, um antigo membro dos governos Blair, advertiu que os deputados se preparam para uma "guerra civil".

"Um punhado de velhos trotskistas não vão assumir o poder", advertiu.

Estas críticas em suas próprias fileiras se somam às que Corbyn recebe de outras partes, como a imprensa conservadora, que considerou escandaloso que ele não cantasse o hino britânico em uma cerimônia.

Um tema que será debatido no congresso e que pode evidenciar as divisões é a questão do sistema de submaino nucleares Trident.

O pacifista Corbyn quer desmantelar o sistema, mas muitos trabalhistas afirmam que a força diplomática britânica reside em seu status nuclear.

Outro assunto que provocará discussões é o da posição do partido sobre a permanência na União Europeia, que o primeiro-ministro conservador David Cameron prometeu celebrar em 2017 no mais tardar.

Os trabalhistas são unanimemente pró-europeus, mas Corbyn é um veterano euroecético que votou contra a UE no referendo de 1975.

Passados os anos, Corbyn moderou suas críticas, enquanto os conservadores fazem o caminho inverso, e já antecipou que não contempla a possibilidade de que os trabalhistas peçam o voto a favor da saída da UE.

Outra grande polêmica da recém-iniciada era Corbyn - eleito em 12 de setembro - é a escolha de seu conselheiro econômico, John McDonnell. McDonnell, um socialista declarado, se desculpou recentemente por ter pedido no passado uma homenagem ao Exército Republicano Irlandês (IRA) que combateu as forças britânicas na Irlanda do Norte, e por brincar com a possibilidade de assassinar a ex-primeira-ministra Margaret Thatcher.

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