(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Analistas estão céticos diante de promessa chinesa de reformar estatais


postado em 15/09/2015 16:16

A China promete reformar, fundir e até fechar suas atrofiadas empresas estatais para dinamizar a economia, mas os analistas se mostram céticos e afirmam que essa transição pode ser uma tarefa de muitos anos.

A acumulação de dados decepcionantes sobre a segunda economia mundial vem provocando temores no mundo e confirmam diariamente a queda da produção industrial e dos investimentos públicos em obras de infraestrutura.

O Partido Comunista Chinês (PCC) anunciou neste domingo um plano para flexibilizar o controle sobre as 150.000 empresas estatais, com o objetivo de dinamizar e tornar esses conglomerados mais competitivos, conforme indicou a agência oficial Xinhua.

Zhang Xiwu, vice-diretor do ente supervisor de 110 empresas diretamente administradas pelo governo central, disse nesta segunda-feira que o programa, divulgado no domingo, pretende "sanear um grupo de empresas estatais e lançá-las ao mercado".

"Colocaremos mais empenho na reforma das 'empresas zumbis', as empresas que operam com prejuízo há muito tempo e as que têm ativos de escassa ou de nenhuma rentabilidade", afirmou.

No entanto, o "Guia para aprofundar a reforma das empresas estatais" não aponta qualquer medida específica desse plano ou as empresas sobre as quais ele será implementado.

Também não chega a incluir privatizações totais entre suas possíveis receitas, preferindo a fórmula das fusões ou da propriedade público-privada, lembram os analistas.

Segundo Claire Huang, economista da filial do banco Société Générale em Hong Kong, "as novas fusões e aquisições de ativos de empresas estatais provavelmente conduzam a formar empresas estatais maiores e mais poderosas".

Por isso, a especialista descarta que as últimas diretrizes do PCC tenham "um impacto positivo imediato na economia".

"O objetivo do 'Guia' sobre as reformas é melhorar a eficiência das empresas estatais e pode levar um bom tempo para alcançá-lo", argumentou Claire Huang.

Nada de novo sob o sol ?

A China reduziu na semana passada em um décimo, a 7,3%, sua estimativa de crescimento em 2014. O percentual continua bem alto em relação ao resto do mundo, mas para o gigante asiático, que até pouco tempo ostentava taxas de crescimento de dois dígitos, é a mais baixa em quase 25 anos.

Pequim garante que a desaceleração é um sinal de "normalização" de sua economia, em plena transição entre um modelo baseado nas exportações e os investimentos estatais e estatais e outro baseado na demanda interna.

Mas os investidores estão aturdidos pela sucessão de dados desalentadores que sacudiram os mercados mundiais e geraram dúvidas sobre a capacidade do PCC de conduzir a transição.

Se as autoridades esperavam acalmar os investidores com seu plano, devem estar frustradas, visto que o principal índice de valores de Xangai começou a semana com duas novas fortes quedas, de 2,67% na segunda-feira e de 3,52% na terça-feira.

Os analistas alegam que as novas diretrizes do PCC carecem de medidas vigorosas que abram novas perspectivas, e que nelas não há nenhuma novidade.

"As diretrizes já se encontravam dentro das expectativas do mercado", disse à AFP o economista Ma Xiaoping, do banco HSBC em Pequim.

"Muitas empresas estatais já se encontram em processo de fusão e de busca de capitais privados", acrescentou.

Duas firmas de construção, a China Railway Group e a China Railway Erju, suspenderam na segunda-feira sua cotação na bolsa, alentando as especulações sobre sua fusão.

O governo não se mostra disposto a se desprender totalmente de empresas em setores-chave, relacionados à "segurança nacional" ou à "segurança econômica", como lembrou recentemente o vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Nacional e da Reforma, Lian Weiliang.

"As reformas terão um impacto de longo prazo, mas no curto prazo, seu impacto econômico será limitado", argumentou Liu Xuezhi, analista do Banco das Comunicações.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)