O petróleo voltou a cair nesta sexta-feira, em Nova York, influenciado por um mercado que não encontrava razões para a alta, devido à incessante super-oferta da commodity.
O barril de "light sweet crude" (WTI) para entrega em outubro caiu 87 centavos a 40,45 dólares, após ter recuado a US$ 39,86 por volta das 17H00 GMT (14H00 de Brasília), seu menor valor desde fevereiro de 2009.
Em Londres, o barril de Brent para entrega em outubro caiu 1,16 dólar para 45,46 dólares.
O WTI acumula oito semanas consecutivas de queda, o que representa sua mais longa série semanal de perdas em 29 anos, informaram analistas do Commerzbank.
A proximidade dos 40 dólares coincidiu com a publicação da sociedade de serviços petroleiros Baker Hughes sobre a quantidade de poços nos Estados Unidos.
Esta semana começaram a funcionar 10 poços a mais do que na semana passada, esfriando, assim, a expectativa de uma redução da produção americana.
"Continuamos vendo uma superabundância na oferta de petróleo e enquanto ela não se equilibrar com a demanda, os preços continuarão sob pressão", comentou James Williams, da WTRG Economics.
"Enquanto a Opep não alterar sua estratégia, continuaremos em baixa e penso que cairemos abaixo dos 40 dólares na semana que vem", acrescentou, destacando que o fundo ainda não está à vista.
A Opep prefere manter seus mercados ao invés de restringir a oferta para elevar os preços. Alguns membros do cartel, como Venezuela e Argélia, que sofrem fortemente com a queda dos preços, questionam essa estratégia, impulsionada pela Arábia Saudita, o maior produtor mundial.
"No final do ano, alguns países da Opep só poderão equilibrar seus orçamentos de 2016 com um passe de mágica", afirmou Carl Larry, da companhia Frost & Sullivan.
"A Opep deve se dar conta (...) de que o consumo nos Estados Unidos não basta mais para salvá-la", afirmou, destacando que a organização deve agir se quiser ter melhores preços.
Do lado da demanda, os dados negativos da atividade industrial chinesa, divulgados na sexta-feira, aumentaram o temor pela saúde da segunda economia mundial e também o segundo maior consumidor mundial de petróleo, atrás dos Estados Unidos.
A atividade manufatureira chinesa caiu em agosto e seu índice de referência chegou ao nível mais baixo em seis anos.
Uma vez que, como afirma Williams, o consumo dos países desenvolvidos da OCDE está em baixa, não há onde encontrar razões para equilibrar a oferta e a demanda mundiais.
Os preços do petróleo perderam a metade de seu valor desde junho de 2014, puxados por uma oferta excedente.
"Achamos que vamos ver os preços caírem ainda neste trimestre" com um horizonte de 35 dólares o barril para o WTI, avaliam analistas do banco JP Morgan.
Carl Larry, analista que está entre aqueles que acreditam que o petróleo pode voltar a subir, avaliou, no entanto, que os preços continuarão caindo até os 34 dólares; seu valor no auge da recessão de 2008-09.
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