Jornal Estado de Minas

Já são 104 os mortos nas explosões na China e habitantes são evacuados


O número de mortos nas explosões registradas na área industrial do porto de chinês de Tianjin subiu para 104, informou a agência oficial de notícias Xinhua. O número até então era de 85 mortos na tragédia.


Ao longo de mais de um dia, o incêndio se intensificou nos depósitos de produtos químicos, provocando novas explosões. Em função disso, as autoridades chinesas decidiram evacuar neste sábado os habitantes da zona do porto de Tianjin (nordeste) por temor que componentes químicos tóxicos se propaguem.


Segundo a Xinhua, as novas explosões na zona industrial provocaram uma terceira coluna de fumaça negra e provavelmente tóxica. "Ante a propagação de substâncias tóxicas, a população situada perto da zona está sendo evacuada", afirma a fonte.


A polícia iniciou a operação em um raio de três quilômetros ao redor do local das explosões, depois da descoberta da existência de cianureto de sódio, um componente químico altamente tóxico.


Três dias depois do desastre, as autoridades continuam lutando para controlar as chamas e não conseguiram identificar com precisão as substâncias químicas armazenadas na zona.


Depois que as forças de segurança os impediram de participar em uma coletiva de imprensa de dirigentes locais, vários habitantes e parentes de vítimas acusaram as autoridades de esconder real magnitude da catástrofe.


"Não temos qualquer informação, nada, o governo não fala nada e nos deixam na mais completa ignorância", reclama uma senhora.


Entre as vítimas, há 21 bombeiros e mais de 700 pessoas tiveram de ser hospitalizadas, 25 delas em estado crítico, segundo fontes oficiais.


Substâncias químicas


O acidente levanta muita preocupação a respeito da natureza dos produtos químicos armazenados no porto, e a imagem de um dos policiais com máscaras antigás não parece tranquilizar os habitantes.


Um funcionário municipal de segurança, Gao Huaiyou, comunicou uma lista das substâncias que poderia haver no porto, citando entre outras bissulfito de sódio, magnésio, sódio, nitrato de potássio, nitrato de amônio e cianureto de sódio.


"Acreditamos que poderá haver ainda muitos (produtos químicos) armazenados nas zonas do depósito", declarou.


As autoridades recorreram a trabalhadores de empresas produtoras de cianureto de sódio "porque são especialistas na natureza do produto químico e nas formas de tratá-lo", explicou Gao.


Mais de 200 especialistas nucleares e bioquímicos do exército chinês chegaram na quinta-feira em Tianjin, uma cidade portuária de 15 milhões de habitantes.


Segundo algumas informações, as primeiras equipes de bombeiros, que foram no local para apagar o incêndio, antes das explosões, teriam deixado água sobre os depósitos de substâncias químicas perigosas, ignorando que poderiam ser ativadas em contato com a água.


Os bombeiros seguiram os procedimentos adequados, insistiu um alto responsável, que reconheceu, contudo, que não sabia quais produtos químicos estavam armazenados no local.


"Não sabemos se houve uma reação química", declarou Lei Jinde, o chefe do serviço de luta anti-incêndios do órgão de segurança pública de Tianjin.


"Sabíamos que havia carboneto de cálcio, mas não sabemos se este explodiu e se incendiou", completou em uma entrevista publicada pela Xinhua.


As autoridades fecharam e suspenderam mais de 360 contas nas redes sociais, acusadas de "propagação de rumores" sobre as explosões, informou a agência, uma amostra da falta de transparência de Pequim na gestão deste tipo de catástrofe.


No Vaticano, o papa Francisco rezou pelas vítimas da catástrofe de Tianjin


"Meu pensamento se dirige neste momento à população da cidade de Tianjin", afirmou o papa aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro depois do Angelus.


"Rezo por aqueles que perderam a vida e por todos que estão sofrendo por causa desta catástrofe", afirmou Francisco, por ocasião da celebração da Festa da Assunção, que comemora a ascensão da Virgem Maria aos céus.

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