Jornal Estado de Minas

Veto russo não impedirá Ucrânia de punir culpados, diz Kiev

O governo da Ucrânia garantiu, nesta quarta-feira, que não vai desistir de punir os culpados pela queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, depois do veto russo a uma resolução da ONU para criar um tribunal especial sobre o caso.

"A Ucrânia não vai parar aqui. Nosso objetivo é punir os culpados. É nosso dever para com as vítimas e famílias", declarou o porta-voz da presidência, Svyatoslav Tsegolko, que cita o presidente Petro Poroshenko, alguns minutos depois do veto russo no Conselho de Segurança da ONU, em Nova York.

Dirigindo-se aos familiares e amigos das vítimas, Poroshenko prometeu justiça.

"Os resultados falam por si", postou Poroshenko em sua página no Facebook, ao se referir à votação no mais importante órgão decisório da ONU.

Kiev acusa Moscou de ter fornecido aos rebeldes pró-russos no leste do país o míssil que teria derrubado o avião. Já a Rússia acusa o Exército ucraniano.

Nesta quarta, Moscou vetou no Conselho de Segurança uma resolução para criar um tribunal especial para julgar os responsáveis pela queda do voo MH17 sobre o leste da Ucrânia, em julho de 2014, que provocou a morte de 298 pessoas.

Em contrapartida, a Rússia elaborou um projeto alternativo de resolução sem incluir um tribunal, mas pedindo uma investigação internacional completa.

Onze dos 15 membros do Conselho de Segurança votaram a favor do texto, redigido por Austrália, Bélgica, Malásia, Holanda e Ucrânia. A Rússia vetou, enquanto Angola, China e Venezuela se abstiveram.

A resolução contou com o apoio, principalmente, de Londres, Washington e Paris. Os três países acusam os rebeldes pró-Moscou pela tragédia.

A sessão do Conselho começou com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.

O ministro holandês das Relações Exteriores, Albert Koenders, também manifestou sua "profunda decepção" e classificou de "incompreensível" o veto russo.

Sua colega australiana, Julie Bishop, denunciou "uma afronta às vítimas, seus familiares e amigos" e considerou que "os pretextos invocados pela Rússia merecem o mais profundo desprezo".

Os cinco países envolvidos na investigação "vão encontrar outro mecanismo para perseguir judicialmente os responsáveis e fazer a verdade vir à tona", completou Julie.

A embaixadora americana na ONU, Samantha Power, disse estar "escandalizada" pela tentativa russa de "se opor a que as 298 vítimas a bordo desse avião obtenham justiça".

"Sobre quais fundamentos se pode assegurar que a investigação será imparcial?" - questionou o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, em discurso no Conselho após a votação.

Churkin perguntou ainda como esse tribunal poderá resistir a um "agressivo fundo de propaganda na mídia".

Antes da votação, o ministro malaio dos Transportes, Liow Tiong, fez um apelo aos membros do Conselho para que adotassem a resolução, afirmando que um tribunal de Justiça seria o mais adequado.

"Todas as pessoas que viajam de avião estarão mais expostas a riscos, se os autores não prestarem contas", alegou.

O voo MH17 foi derrubado em 2014 por rebeldes do leste da Ucrânia durante um confronto entre as Forças Armadas de Kiev e os separatistas pró-russos.

Os resultados de uma investigação feita pela Holanda serão divulgados em outubro deste ano.

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