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Estado de Minas

Chimpanzés têm habilidades para a cozinha, mostra estudo


postado em 02/06/2015 20:46

Um gosto pela cozido, uma dose de paciência, discernimento, capacidade de prever: os chimpanzés possuem certas habilidades cognitivas necessárias para cozinhar - garante um estudo científico baseado em experiências publicado nesta quarta-feira.

"Se nosso parente mais próximo tem essas habilidades, podemos pensar que, quando os primeiros homens foram capazes de dominar o fogo, eles foram capazes de começar a cozinhar", considera Felix Warneken, do departamento de Psicologia da universidade norte-americana de Harvard, um dos autores do estudo.

"Obviamente, os chimpanzés não dominavam o fogo", aponta Alexandra Rosati, da Universidade de Yale, outra psicóloga participante da pesquisa publicada na revista Proceedings B, da Royal Society. "Mas estamos interessados em outros aspectos, tais como a capacidade de compreender que, se você colocar o alimento cru no fogo, você tem alimentos cozidos", diz ela em um comunicado.

Hoje em dia, cozinhar parece simples: basta acender o fogão e ir embora. Mas para os primeiros homens, que se alimentavam em parte de tubérculos, foi necessário mobilizar importantes percepções cognitivas para perceber que cozinhar alimentos era melhor e tornava a digestão mais fácil.

O cozimento de alimentos pode ter desempenhado um papel-chave na evolução humana tornando o alimento mais assimilável e permitindo que os seres humanos tirassem o máximo de proveito da comida, um elemento fundamental para o cérebro.

Os dois cientistas foram para a República do Congo para conduzir seus estudos no santuário de chimpanzés (Pan troglodytes) de Tchimpounga, administrado pelo Instituto Jane Goodall.

O primeiro experimento confirmou que os chimpanzés preferiam alimentos cozidos. Uma grande maioria desprezou a batata doce crua para provar aquelas que tinham sido refogadas. Eles estariam, então, motivados a aprender a cozinhar.

Os pesquisadores então testaram a paciência de nossos primos mais próximos. Os chimpanzés poderiam escolher entre devorar um pedaço de batata crua imediatamente ou esperar um minuto antes que pudessem desfrutar de três pedaços cozidos. Mais uma vez, os alimentos cozidos preparados venceram com folga.

- Surpresa -

Para as experiências seguintes, os pesquisadores usaram um aparelho "de cozimento". O recipiente em forma de tigela era equipado com um fundo falso, que escondia os alimentos cozidos.

Sob os olhos dos macacos, o experimentador introduziu batata crua na tigela e depois a agitava, e então a comida cozida aparecia. Ele fez o mesmo com uma panela que só dava batata crua.

Em seguida, os grandes macacos receberam um pedaço de batata crua. "Nós nos perguntávamos se eles seriam capazes de não comê-lo e de colocá-lo na panela", contou Alexandra Rosati.

Para sua surpresa, metade dos chimpanzés escolheu o dispositivo de cozinha que lhes dava a batata cozida, em vez de comer batata crua ou colocá-la no aparelho de controle. A prova de que eles haviam entendido que houve um processo de transformação.

Posteriormente, os chimpanzés também souberam colocar cenouras cruas no dispositivo de cozimento, e não fizeram o mesmo com um pedaço de madeira. "Eles não usaram o aparelho de cozimento de forma aleatória", ressaltou a pesquisadora.

Os chimpanzés também mostraram que podiam transportar os alimentos por alguns metros até o fogão. E alguns conseguiram pôr de lado alimentos para um cozimento posterior.

Para os autores, este estudo sugere que o último ancestral comum de homens e macacos - a divergência ocorreu há 13 milhões anos - tinha essas habilidades cognitivas para cozinhar.

E, embora as teorias atuais considerem que o homem tenha procurado controlar o fogo primeiramente para se aquecer e obter luz, os pesquisadores acreditam que cozinhar os alimentos também pode ter sido uma das suas motivações.


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