Jornal Estado de Minas

AIEA quer acesso a todas as instalações nucleares do Irã

AFP

Encarregada de aplicar um eventual acordo entre Irã e as grandes potências, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deve ter acesso a todas as instalações nucleares desse país, incluindo as militares - defendeu o diretor-geral do órgão, Yukiya Amano, nesta quarta-feira.

As inspeções de sítios suspeitos são possíveis segundo o Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

O Irã se comprometeu a aplicá-lo, caso se chegue a um acordo internacional até o fim de junho sobre seu programa nuclear, disse Amano, durante uma visita de dois dias a Paris, encerrada hoje.

Destinadas a garantir o caráter pacífico do programa, a questão das inspeções é um dos pontos espinhosos das negociações em curso.

Na semana passada, o guia supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, descartou categoricamente a possibilidade de que a AIEA inspecione instalações militares. Para um general iraniano, trata-se de um "pedido oficial de espionagem".

"Eu me nego a interpretar essas declarações, ou a especular. A AIEA é uma organização técnica e se concentra nos fatos", declarou Amano, em entrevista concedida à AFP e ao jornal francês "Le Monde".

"A AIEA tem o direito de reivindicar o acesso a todos os sítios, inclusive militares", dos mais de 120 países que aplicam o Protocolo Adicional, lembrou o diplomata japonês.

"Até agora, o Irã não aplica esse protocolo, mas, quando for o caso, a AIEA porá em prática o que fez com todos os outros países", disse Amano, acrescentando que, na prática, os inspetores da organização levam em consideração o "aspecto sensível" de certas instalações.

São necessários 'anos' de controle

Teerã e o chamado P5+1 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, China, França e Alemanha) esperam chegar a um acordo histórico sobre o programa nuclear iraniano antes do fim de junho, após mais de uma década de fortes tensões diplomáticas. O objetivo é garantir o caráter exclusivamente civil do programa nuclear iraniano em troca da suspensão das sanções que pesam sobre o país.

Órgão encarregado de controlar esse acordo, a AIEA tenta verificar a possível dimensão militar (PMD) das atividades nucleares do Irã antes de 2003 e até mesmo depois disso. Teerã sempre negou que tivesse a intenção de se dotar de armas nucleares.

"No que diz respeito à PMD, serão necessários vários meses (de controles). Isso depende, em grande medida, da cooperação iraniana, mas não será um processo sem fim. Poderemos esclarecer essa questão em um prazo razoável", declarou Amano.

"Obter garantias confiáveis de que todas as atividades nucleares do Irã têm um objetivo pacífico levará anos", admitiu.

Se for assinado o acordo internacional sobre o programa iraniano, a Agência ficará encarregada de controlar sua aplicação e manter o Conselho de Segurança da ONU informado.

"Será a mais importante operação da AIEA", afirmou.

O diretor da AIEA não deu números do custo da operação, mas lembrou que a aplicação do acordo intermediário alcançado em novembro de 2013 pelo Irã e pelas grandes potências representou "EUR 1 milhão adicionais" por mês.

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