Jornal Estado de Minas

Cinema de Coppola é contemplado com o prêmio Princesa de Astúrias

AFP

Helicópteros lançando napalm no Vietnã ao som de Wagner, uma cabeça ensaguentada de cavalo entre os lençóis de uma vítima da máfia: os "ícones" criados pelo cineasta americano Francis Ford Coppola lhe renderam, nesta quarta-feira, o prêmio Princesa de Astúrias das Artes.

Criador de imagens impactantes em clássicos como "Apocalypse Now" e a saga "O Poderoso Chefão", gravados para sempre na memória dos cinéfilos, Coppola, de 76 anos, é um "renovador temático e formal", ressaltou o presidente do júri, ao anunciar o prêmio, em uma breve cerimônia em Oviedo, no norte da Espanha, transmitida pela televisão.

"Suas explorações em torno do poder e sobre os horrores e o abuso da guerra transcenderam à sua obra artística, tornando-se ícones coletivos e universais do imaginário e da cultura contemporâneos", acrescentou.

O prêmio das Artes é o primeiro dos oito concedidos desde 1981 pela Fundação Príncipe de Astúrias, renomeada agora de Fundação Princesa de Astúrias, em homenagem à pequena Leonor de Borbón, de 9 anos, nova herdeira do trono da Espanha, após a proclamação de seu pai, Felipe VI, como monarca, em junho.

O cineasta agradeceu o prêmio com seu particular senso de humor.

"Aceito com gratidão, ao mesmo tempo em que percebo que, casualmente, estava no meio da leitura de Dom Quixote de La Mancha; sendo assim, nas palavras de Cervantes, 'o destino guia nossa sorte de uma forma mais favorável do que teríamos esperado'", declarou, em nota escrita de San Francisco, no oeste dos Estados Unidos.

Nascido em 7 de abril de 1939 em uma família ítalo-americana de Detroit (nordeste dos Estados Unidos) e formado em arte dramática e belas artes em universidades de Nova York e Los Angeles, Coppola é autor de filmes como o bélico "Patton" (1970), que lhe rendeu o primeiro de seus sete Oscars.

No entanto, ficou famoso com "O Poderoso Chefão" (1972), uma adaptação do romance de Mario Puzo, eleito em 2014 "o melhor filme da história" pela indústria de Hollywood, no qual um envelhecido Marlon Brando encarna o chefe mafioso Vito Corleone.

Rodado em 52 dias, com um elenco que incluiu Al Pacino, Robert Duvall e Diane Keaton, o filme se tornou uma das estreias de maior bilheteria da época e faturou três estatuetas da Academia, sendo seguido por duas sequências, em 1974 e 1990.

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