O embaixador homossexual escolhido pela França para representar o país perante o Vaticano foi recebido no sábado pelo Papa em pessoa, que confirmou sua recusa em aceitar sua candidatura, segundo matéria que será publicada esta quarta-feira no semanário satírico francês Canard Enchaîné.
Uma fonte próxima do processo confirmou à AFP o encontro entre o Papa e o diplomata Laurent Stefanini, sem revelar o conteúdo.
De acordo com a revista, que tinha anunciado a oposição da Santa Sé à indicação de Laurent Stefanini ao cargo de embaixador francês no Vaticano, o papa Francisco recebeu no sábado, "muito discretamente", o diplomata, homossexual assumido e católico convicto.
O papa disse "não ter nada contra ele, mas que, em compensação, não apreciou nem 'o casamento para todos', nem os métodos do Eliseu, que tentou forçar uma situação", prosseguiu a Canard.
Em 15 de abril, o porta-voz do governo francês Stéphane Le Foll tinha indicado que Laurent Stefanini seria mantido "a indicação da França".
Paris e o Vaticano travam há três meses uma queda de braço motivada pela escolha do novo embaixador da França na Santa Sé.
Laurent Stefanini, de 55 anos, conhece bem o Vaticano por já ter trabalhando como ministro conselheiro na embaixada francesa na Santa Sé entre 2001 e 2005. Depois, o diplomata foi conselheiro do ministro francês das Relações Exteriores para assuntos religiosos, antes de se tornar chefe do protocolo do Eliseu em 2010, durante a Presidência de direita de Nicolas Sarkozy, depois de seu sucessor, o socialista François Hollande.
Embora seja um católico fervoroso, ele não esconde sua homossexualidade, mesmo levando uma vida discreta e não tendo se casado, nem mesmo celebrado uma união civil.
Vários meios de comunicação anteciparam que a origem do veto seria o papa Francisco, que estaria cobrando a conta ao governo francês pela lei do casamento homossexual, aprovada em 2013.
Segundo o Canard Enchaîné, o presidente francês busca, agora, um novo postulante para o cargo.
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