A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, pediu nesta quinta-feira uma ação consensual para evitar que a "nova mediocridade da economia se converta na nova realidade", depois de criticar um "crescimento mundial simplesmente insuficiente".
"Mantendo-se como moderado, o crescimento mundial, que será similar ao do ano passado (3,4%), simplesmente não é suficiente", afirmou Lagarde, em um discurso em Washington, a poucos dias das reuniões do organismo e do Banco Mundial.
"Há seis meses, adverti sobre o risco de uma nova mediocridade, ou seja, um baixo crescimento prolongado no tempo.
"O problema é que enquanto o crescimento atual continuar modesto, as perspectivas também o serão", acrescentou.
Apesar da recuperação se confirmar nos Estados Unidos e Reino Unido, e o panorama melhorar na zona do euro, as projeções para a maioria dos países emergentes não são tão boas como no ano p0assado, afirmou a chefe do FMI antes da publicação das novas previsões econômicas da instituição na próxima semana.
A China se desacelera, a Rússia se aproxima de dificuldades econômicas, o Brasil estancou e o Oriente Médio está acossado pela instabilidade política e econômica, resumiu Lagarde, destacando, no entanto, a Índia como um "elemento brilhante".
Para o FMI, tanto no caso das economias desenvolvidas, como das emergentes, as sequelas da crise financeira não são a única explicação das medíocres perspectivas econômicas, como também são o "resultado das mudanças demográficas e a menor produtividade".
"Francamente, em muitos países, estas reformas estancaram. É preciso empreender reformas estruturais", disse ainda.
Para reverter o processo da produtividade nos países avançados, Lagarde defende o gasto em infraestrutura, saneamento das finanças das pequenas e médias empresas que criam vagas de trabalho na Europa e esforços para fomentar a participação no mercado de trabalho, inclusive no Japão.
A cooperação comercial deve ser reativada, insistiu, assinalando que, pelo quarto ano consecutivo, o crescimento do comércio mundial esteve abaixo da média dos últimos 30 anos.
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