A guerra foi declarada entre a presidente da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, e seu pai Jean-Marie, fundador do partido de extrema-direita, cujas últimas provocações não agradaram sua filha, que tem conduzido uma verdadeira campanha de isolamento.
Jean-Marie Le Pen, de 86 anos, presidente de honra da FN e deputado europeu, foi proibido por sua filha de participar nas próximas eleições regionais.
A decisão foi tomada depois que Jean-Marie Le Pen fez declarações polêmicas em uma entrevista a um jornal considerado antissemita.
"Jean-Marie Le Pen parece ter entrado em uma verdadeira espiral entre a estratégia de terra arrasada e suicídio político", escreveu Marine Le Pen em um comunicado.
"Com a situação, informei a Jean-Marie Le Pen que serei contrária a sua candidatura nas eleições regionais previstas para 2015", completou a líder da FN, que se esforça há vários anos para apresentar a Frente Nacional como um "partido normal" e mudar a imagem de ultradireita herdada do pai.
A atual presidente da FN, que conseguiu fazer com que o partido alcançasse resultados históricos desde 2011, "irá reunir rapidamente um gabinete executivo", a maior instância do partido, "para definir os meios de proteger os interesses políticos da Frente Nacional".
Jean-Marie Le Pen queria representar o partido nas eleições regionais de Provença-Alpes-Costa Azul (sudeste).
Numa entrevista concedida à publicação de extrema-direita Rivarol, divulgada na terça-feira, Jean-Marie Le Pen defendeu a memória do marechal Philippe Pétain, líder da colaboração da França com a Alemanha nazista, e criticou a estratégia da filha no comando da FN.
Além disso, na semana passada, Jean-Marie Le Pen repetiu declarações sobre as câmaras de gás dos campos de extermínio nazistas, ao afirmar que eram um "detalhe" da história.
"Nunca considerei o marechal Pétain como um traidor. Foram muito severos com ele após a Libertação", declarou à revista, recentemente condenada por provocação ao ódio antissemita.
Ao comentar a atuação de sua filha no partido, ele criticou a nomeação de algumas pessoas - entre eles homossexuais aos quais ele se referiu como "um lobby arco-íris" - e considerou "excessiva" a maneira como a direção do FN se defende das acusações de antissemitismo, xenofobia e homofobia.
Jean-Marie não declarou nada de novo, mas a quantidade de provocações em um curto espaço de tempo provocou a reação de sua filha.
'Ele vai lutar até o fim'
Uma ruptura definitiva como o fundador "não mudaria fundamentalmente a natureza da FN, mas teria um valor simbólico muito forte", acredita o cientista político Sylvain Crépon, que considera que Jean-Marie Le Pen "não será descartado facilmente". Presidente de honra, "ele vai lutar até o fim".
O vice-presidente da FN, Florian Philippot, escreveu no Twitter que a "ruptura política com Jean-Marie Le Pen agora é total e definitiva" e serão tomadas decisões rapidamente.
Louis Aliot, também vice-presidente da FN, destacou que as "divergências políticas" com Jean-Marie Le Pen são "irreconciliáveis" agora, após suas declarações ao Rivarol, que chamou de "pasquim antissemita".
Desde que assumiu o comando do partido, Marine Le Pen manteve a linha antieuropeia, anti-imigrantes, nacionalista e antissistema, mas com um distanciamento das fraturas da sociedade francesa pós Segunda Guerra e guerras coloniais.
Seus esforços valeram a pena: a apenas dois anos das eleições presidenciais em um país mergulhado numa crise econômica, a FN ganhou o centro do debate político diante de um Executivo socialista desacreditado.
O partido de extrema-direita também confirmou sua presença nacional, com 25% dos votos no primeiro turno das eleições locais em 22 de março.
O risco para a filha de perder eleitores com esta ruptura é considerado pequeno pela cientista política Virginia Martin.
"Apesar de Jean-Marie Le Pen ser uma figura histórica, o ganho eleitoral será maior do que o risco de perder talvez um ou dois por cento dos eleitores mais à direita", afirma.
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