O governo japonês convocou neste domingo o governador de Okinawa (sul) a aceitar a construção de uma base aérea americana na ilha, um projeto que é alvo de polêmicas há duas décadas.
O assunto da base de Okinawa preocupa o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que em algumas semanas deverá realizar uma visita oficial aos Estados Unidos.
Em Okinawa, cidade do extremo sul do Japão, residem a maioria dos 47.000 militares americanos baseados no Japão, uma presença mal aceita pelos habitantes da ilha.
Os moradores se queixam dos ruídos dos aviões e temem o registro de acidentes.
Além disso, baseando-se em vários casos ocorridos nos últimos anos, consideram que a presença de tantos jovens americanos aumenta o risco de criminalidade.
A base aérea de Futenma, situada na cidade de Ginowan, deve ser transferida à cidade de Nago, situada na região litoral menos povoada.
O governador Takeshi Onaga, eleito em novembro de 2014 ao término de uma campanha contra a construção da base, ordenou o fim das obras invocando o dano que causavam às barreiras de corais.
No entanto, em março o governo suspendeu o decreto de fim das obras.
O porta-voz do governo afirmou neste domingo esperar que o governador entenda a necessidade deste projeto para "preservar a força de dissuasão da aliança entre Japão e Estados Unidos" diante da emergência da potência da China e das ameaças da Coreia do Norte.
O governador respondeu que qualquer projeto vinculado à segurança nacional deve contar com o apoio da população.
"Okinawa nunca propôs receber bases.
A transferência à base de Nago, a 50 km, foi decidida em 1996 para acalmar a opinião pública, enfurecida pelo estupro coletivo de uma adolescente japonesa por vários militares americanos.
Mas o projeto ficou estancado por mais de 15 anos até que em dezembro de 2013 o governador Hirokazu Nakaima autorizou o início das obras em troca de compensações financeiras para a ilha.
Esta decisão, considerada uma traição por uma maioria da população, o fez perder as eleições em 2014 para Onaga.
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