Liderada pelo trabalhista Isaac Herzog (centro-esquerda), a União Sionista tem uma pequena vantagem sobre o Likud com vistas às eleições legislativas em Israel, na próxima terça-feira, segundo pesquisas de intenção de voto.
No atual cenário, a União Sionista obteria 24 assentos no Parlamento (Knesset), contra 21 do Likud.
Num universo de 120 parlamentares, é necessário um total de 61 deputados para formar a base aliada. Sendo assim, tudo indica que será difícil o trabalhista se tornar primeiro-ministro, o que não ocorre há 15 anos.
No sistema eleitoral israelense, são necessários poucos votos para a divisão das cadeiras no Parlamento. Este esquema favorece o isolamento dos partidos políticos, dado que os candidatos podem ser eleitos deputados conforme a regra da proporcionalidade integral.
No caso do Likud, seria possível formar uma coalizão com vários partidos de direita e ultradireita que, segundo as previsões, totalizaria 58 cadeiras, três a menos do que o mínimo necessário para ter maioria.
Entre os aliados de Netanyahu, está o partido nacionalista religioso Lar Judeu, favorável à colonização nos territórios palestinos a qualquer custo, que a princípio obteria 13 assentos.
Entre os partidos ultraortodoxos, Shas e Lista Unificada da Torá conseguiriam sete representantes, cada um.
Por outro lado, o partido ultranacionalista laico Israel Beitenu (Israel Nossa Casa), dirigido pelo atual ministro de Relações Exteriores Avigdor Lieberman, chegaria a seis deputados. E o Iachad, de orientação religiosa ultradireitista, outros quatro.
Já no que se refere ao atual primeiro colocado nas pesquisas, Herzog teria 54 deputados a seu favor, ou seja, sete a menos do que o necessário para constituir maioria e formar uma aliança governamental no Parlamento.
Dentre os possíveis aliados, figuram Iesh Atid (Tem Futuro), de centro e comandado pelo jornalista Yair Lapid (exonerado por Netanyahu do cargo de ministro das Finanças, em 2014), que deve eleger 12 deputados, e Meretz, legenda de esquerda e laica, com um total de seis deputados.
Se for o caso, Herzog pode esperar pelo apoio da lista única formada pelos árabes israelenses, que se apresentam pela primera vez. A tendência é que alcancem 12 parlamentares eleitos.
Tal situação deixaria o destino imediato da política em Israel nas mãos do Kulanu (Todos Nós), novo partido de centro-direita com apelo social, que conseguiria até oito deputados.
O fundador do Kulanu, Moshe Kahlon, egresso do Likud, até agora se negou a indicar suaa quem pretende apoiar.
Porém, se os resultados do dia 17 coincidirem com as sondagens, vários analistas consideram como hipótese cada vez mais provável a formação de um governo de unidade nacional.
Em meio à queda nas pesquisas, Benjamin Netanyahu fez um chamado à mobilização.
"É preciso votar no Likud, senão não se poderá tirar a vantagem da União Sionista", postou o primeiro-ministro em seu perfil no Facebook.
Netanyahu tenta se eleger pela terceira vez seguida (também governou em meados da década de 1990). Ele advertiu sobre o risco de um governo dirigido por Herzog e Tzipi Livni, ex-ministra de Relações Exteriores em 2006 e líder no partido Hatnuah (O Movimento).
"Existe o perigo de que Tzipi e Bougie (apelido de Herzog) alcancem o cargo de primeiro-ministro com o apoio dos partidos árabes", insistiu Netanyahu.
Enquanto isso, Isaac Herzog, em entrevista a uma emissora de rádio, avaliou que é o "único capaz de substituir Netanyahu". Ele ainda teve de responder a uma pergunta sobre um eventual governo com o Likud, diante da qual se esquivou com habilidade.
"Aonde eu vou, me pedem para não ir com Bibi (Netanyahu), os ultraortodoxos, os partidos árabes.
O último primeiro-ministro trabalhista em Israel foi Ehud Barak, após derrotar o próprio Netanyahu e governar entre 1999 e 2001.
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