Em vez disso, a mulher de 23 anos deveria ter permanecido em silêncio, disse Singh, que estava dirigindo o ônibus durante grande parte do tempo em que a mulher estava sendo atacada.
"Uma menina é muito mais responsável pelo estupro do que um menino", disse ele, de acordo com a transcrição do documentário.
Jyoti Pandey e seu amigo estavam voltando para casa, após terem ido ao cinema, quando foram enganados pelos homens para entrar no ônibus, que eles tinham roubado para se divertirem. Eles espancaram o amigo e estupraram a mulher com uma haste, deixando-a com ferimentos internos graves, os quais causaram sua morte.
Singh e outros três homens foram condenados por assassinato e estupro por um tribunal em 2013. Na época, eles confessaram o ataque, mas depois retrataram suas confissões, dizendo que tinham sido torturados para admitir o envolvimento. Os recursos às sentenças de morte contra os quatro estão suspensos, aguardando a decisão da Suprema Corte.
Na Índia, onde muitas pessoas acreditam que as mulheres são responsáveis pelos seus estupros, a maioria ficou em choque após o ataque. O governo se apressou para dobrar a pena que incrimina os estupradores para 20 anos de prisão, além da criminalização do voyeurismo, no qual o indivÍduo obtém prazer sexual ao observar uma mulher, à perseguição e ao tráfico de mulheres. A lei também criminaliza policiais que se recusarem a abrir investigações em casos de abusos contra mulheres.
Na época, Nova Délhi foi tomada por um grande protesto pedindo fortes punições contra os estupradores.
Na entrevista, Singh sugeriu que o ataque era ensinar a mulher e seu amigo que eles não deveriam estar na rua durante a noite e reiterou ainda que as vítimas não devem reagir, mas "devem ficar em silêncio e permitir o estupro".
Em relação à pena de morte, Singh disse que a medida irá apenas tornar o crime mais perigoso, pois ao invés de abandonarem a mulher, elas serão mortas.
A entrevista de Singh está no documentário a "Filha da Índia", realizado pelo cineasta britânico Leslee Udwin. Ele será exibido em 8 de março, no Dia Internacional da Mulher, na Índia, Grã-Bretanha, Dinamarca, Suécia e em vários outros países..