O Parlamento austríaco adotará nesta quarta-feira uma nova legislação que promove "um Islã com caráter europeu" e proíbe o financiamento dos imãs por fundos estrangeiros, em uma tentativa de evitar as derivas extremistas.
Vários países europeus seguem esta iniciativa com interesse, entre eles a França, onde o primeiro-ministro Manuel Valls anunciou em meados de fevereiro sua vontade de impedir estes financiamentos.
O texto, apresentado pelo governo de coalizão entre esquerda e direita, moderniza a anterior "lei sobre o islã" promulgada em 1912, após a anexação da Bósnia-Herzegovina pelo império austro-húngaro.
O objetivo é "conceder mais direitos aos muçulmanos, mas também combater claramente as derivas", explicou na terça-feira o jovem ministro conservador de Integração, Sebastian Kurz.
Cerca de 560.000 muçulmanos, em sua maioria turcos e bósnios, vivem na Áustria, um país de 8,5 milhões de habitantes.
A nova lei começou a ser elaborada há dois anos e não está relacionada aos recentes atentados islamitas na Europa. Ganha, no entanto, uma maior relevância agora, quando cerca de 200 pessoas, incluindo mulheres e menores, viajaram a partir da Áustria para se alistar nas fileiras jihadistas na Síria e no Iraque.
Para limitar os riscos de doutrinamento e promover um "islã com caráter europeu", a nova lei proíbe o financiamento das organizações culturais e dos imãs por fundos estrangeiros. Também exige que os clérigos muçulmanos dominem o alemão.
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