Jornal Estado de Minas

Ucrânia: separatistas pró-Rússia e Exército de Kiev trocam presos

AFP

O Exército ucraniano e os rebeldes pró-russos iniciaram neste sábado a troca bilateral de prisioneiros, como parte dos acordos de Minsk, informou um jornalista da AFP presente no local.

Os rebeldes entregaram 139 soldados ucranianos em troca de 52 combatentes separatistas, a maior feita desde dezembro passado.

A troca era realizada na cidade de Zholobok, situada na linha de frente, 40 km a noroeste do reduto rebelde de Lugansk, como parte de uma trégua apoiada pela ONU e muitas vezes violada desde sua entrada em vigor, há uma semana.

Alguns dos soldados mantidos prisioneiros pelos rebeldes estavam feridos, e uns poucos caminhavam com a ajuda de muletas.

Os insurgentes disseram que seus prisioneiros incluíam alguns que foram capturados na ofensiva rebelde na cidade-chave de Debaltseve, esta semana.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, confirmou, em um post no Twitter, a troca de prisioneiros, escrevendo que "140 heróis ucranianos estarão a caminho de casa, saídos do cativeiro".

Inicialmente, os rebeldes haviam anunciado que apenas 40 prisioneiros seriam trocados por cada campo. Outros acabaram sendo adicionados mais tarde ao grupo que seria entregue ao "lado inimigo".

Os acordos "Minsk 2", acertados entre a Ucrânia e os rebeldes pró-russos com o apoio de Alemanha, França e Rússia, preveem a libertação de "todos os reféns e prisioneiros" retidos desde o início do conflito, em abril de 2014.

Segundo os separatistas, entre os presos, estão os combatentes capturados durante a ofensiva para tomar a estratégica localidade de Debaltseve esta semana. Em um mês, 179 soldados ucranianos morreram na batalha de Debaltseve, e 81 estão desaparecidos, anunciou neste sábado o conselheiro do presidente ucraniano, Yuri Biriukov.

Sem ilusões quanto a uma trégua

Alemanha e França continuam tentando apoiar a trégua - sem muita esperança, porém - para pôr fim a um conflito que deixou quase 5.700 mortos em dez meses, segundo o balanço mais atualizado da ONU.

"Não temos nenhuma ilusão", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, na sexta-feira, depois de se reunir com o presidente francês, François Hollande, em Paris.

Os acordos firmados na capital bielo-russa, com a participação de Ucrânia, Rússia, Alemanha e França, previam um cessar-fogo total, a retirada das armas pesadas da frente de combate, a libertação dos prisioneiros e negociações para uma maior autonomia das regiões separatistas.

Neste sábado, em entrevista coletiva em Londres, o secretário de Estado americano, John Kerry, declarou que os EUA avaliam a imposição de "sanções graves" à Rússia por seu comportamento "extremamente covarde" na Ucrânia.

Kerry conversou com os jornalistas depois de uma reunião com o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, que o acompanhou na coletiva na embaixada americana em Londres.

"Podemos adotar sanções muito graves que podem ter um impacto muito negativo na economia russa", disse Kerry, acrescentando que, "nos próximos dias, o presidente (Barack) Obama vai analisar as alternativas disponíveis e tomar sua decisão".

Para o secretário americano, a ofensiva contra a cidade de Debaltseve é um dos exemplos "mais flagrantes" da ruptura do cessar-fogo por parte dos russos e dos separatistas ucranianos pró-Moscou.

"Sabemos, com segurança, o que a Rússia proporcionou, e nenhuma propaganda pode esconder suas ações", frisou.

Dúvidas sobre entrega de armas

Os separatistas garantiram ter retirado as armas pesadas de algumas áreas, mas os observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) ainda não confirmaram essa informação.

"Sejamos claros. O acordo de Minsk não está aberto à interpretação. Não é impreciso, nem oferece opções", insistiu Kerry.

Ele destacou que, até o momento, "a Rússia e os separatistas cumpriram o acordo apenas em algumas áreas, mas não em Debaltseve, nem nos arredores de Mariupol, nem em alguns outros pontos estratégicos".

Ao ser questionado sobre a possibilidade de fornecer armas à Ucrânia, Kerry repetiu que a situação está sendo analisada em Washington, mas que "até agora o presidente não tomou qualquer decisão".

Embora Moscou continue negando sua intervenção na Ucrânia, UE e Estados Unidos já aplicaram uma série de sanções econômicas em represália por seu apoio aos separatistas.

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