O presidente da Croácia, o social-democrata Ivo Josipovic, e a candidata conservadora e ex-ministra de Relações Exteriores Kolinda Grabar Kitarovic farão o segundo turno da eleição presidencial, no dia 11 de janeiro, segundo resultados oficiais divulgados neste domingo.
Josipovic obteve 38,56% dos votos, contra 37,08% para Kitarovic, de acordo com resultados quase definitivos.
A participação foi de 47,12%, superando em 3% o índice das eleições presidenciais realizadas há cinco anos.
Jurista de formação e compositor de música clássica, Josipovic enfrentará Kitarovic, que liderou a diplomacia croata entre 2003 e 2008.
Concorreram ainda à presidência Milan Kujundzic, um político nacionalista de 57 anos, e Ivan Vilibor Sincic, um jovem ativista de 24 anos, famoso por se opor ao despejo de pessoas incapazes de pagar suas hipotecas.
Sincic foi a grande surpresa do primeiro turno, ao conquistar a terceira posição, com 16,48% dos votos.
Durante a monótona campanha eleitoral, em um país que se prepara para festejar o Ano Novo, Josipovic e Kitarovic prometeram trabalhar para reativar a economia, embora o cargo presidencial não tenha competências a esse respeito.
Na Croácia, o presidente dispõe de poderes limitados.
Grabar Kitarovic, de 47 anos e candidata da Comunidade Democrática Croata (HDZ, oposição), criticou seu rival durante a campanha por ter fracassado em sua intenção de obrigar o governo a realizar reformas econômicas.
Uma situação econômica muito difícil
A Croácia, país de 4,2 milhões de habitantes, encontra-se em recessão quase permanente desde 2008 e a dívida representa quase 80% do PIB. Sua entrada em 2013 na UE não a ajudou a solucionar sua situação econômica.
O PIB croata deve voltar a se contrair em 2014, em torno de 0,5%. A taxa de desemprego se aproxima de 20% e um de cada dois jovens está desempregado.
Apesar das críticas sobre sua falta de opinião clara nos temas importantes para tentar manter boas relações com todo o mundo, Josipovic, um político tranquilo de 57 anos, mostrou-se nas últimas semanas mais firme e inclusive criticou o governo de centro-esquerda (SDP) por sua incapacidade para tirar o país da crise econômica.
O chefe de Estado defendeu a introdução de mudanças na Constituição para endireitar e desenvolver a economia, entre elas uma reforma do sistema judicial e das competências do governo, assim como uma redução do número de regiões.
"É realmente necessário mudar as bases de funcionamento do país", disse o candidato social-democrata.
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