Em comunicado à imprensa, o Itamaraty informou que presta assistência consular ao brasileiro preso na Bulgária. “O nacional já foi contatado pela Embaixada do Brasil em Sófia e será visitado em breve por funcionários” da representação, afirmou o Ministério das Relações Exteriores.
A prisão do goiano e dos dois marroquinos, suspeitos de “envolvimento em um grupo terrorista”, começou a se desenhar às 12h30 (8h30 em Brasília) de segunda-feira, quando a Agência Nacional de Segurança da Bulgária (Sans, pela sigla em búlgaro) foi informada sobre a presença dos suspeitos em seu território. Cerca de 45 minutos depois, eles foram capturados quando tentavam ingressar na Turquia. O trio permanece detido na carceragem da Sans em Haskovo, no Sudoeste do país. Os suspeitos estão à disposição da promotoria e do Ministério do Interior. Como o brasileiro mora há alguns anos em Monistrol de Montserrat, perto de Barcelona, ele deverá ser devolvido à Espanha. A extradição pode ocorrer hoje. Ele será levado a Madri, onde aguardará julgamento em prisão preventiva e responderá sob acusação de terrorismo.
A cozinheira espanhola Pepi Santamans contou que mora na Rua Balmes e é vizinha do goiano. “Vivemos no mesmo pátio, a três escadarias de diferença. Estou no prédio em frente ao dele”, explicou. “Ninguém suspeitava de nada.
Ramón Espadaler, conselheiro de Interior da Catalunha, revelou que o brasileiro e os marroquinos começaram a ser investigados em junho, após divulgar mensagens a favor da jihad (guerra santa). O jovem de Formosa teria se convertido ao islã e morava havia menos tempo na Espanha que os outros dois suspeitos.
Execuções
De acordo com o jornal Financial Times, o grupo jihadista executou ao menos 100 de seus combatentes estrangeiros que tentavam fugir da cidade de Raqqa, no Centro-Norte da Síria. Um ativista que se opõe ao EI e ao regime do ditador sírio, Bashar al-Assad, revelou que a facção extremista criou uma polícia militar para punir mujahedines (guerrilheiros) do exterior que fugissem aos seus deveres. Ainda segundo o Financial, dezenas de casas de militantes foram invadidas e vários jihadistas acabaram presos. O ativista disse ter “verificado as 100 execuções”.
Magnus Ranstorp, especialista em terrorismo pelo Colégio de Defesa Nacional da Suécia, afirmou ter escutado sobre o assassinato em massa de mujahedine estrangeiros, mas não nesta escala. “A eliminação dos 100 combatentes mostra maldade pura, mas também desespero.