A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, que criticou abertamente a detenção de jornalistas na Turquia, este domingo, se disse "muito surpresa" com a reação do presidente turco, que mandou Bruxelas "se ocupar de seus assuntos".
"Estou muito surpresa, visto que, durante a minha visita na semana passada , falamos de forma muito construtiva (...) sobre como avançar nas relações entre a UE e a Turquia", declarou Mogherini em coletiva de imprensa.
A polícia antiterrorista turca celebrou, na manhã deste domingo, operações em treze cidades da Turquia, entre elas em Istambul, onde foram detidas 27 pessoas, a maioria, jornalistas.
Bruxelas denunciou no domingo estas operações policiais, ao considerá-las "contrárias aos valores europeus" que a Turquia deve respeitar para poder entrar na UE. Em um comunicado, Mogherini e Johannes Hahn, comissário europeu para a Ampliação, consideraram estas operações "incompatíveis com a liberdade de imprensa".
"A União Europeia não pode interferir nos passos dados (...) dentro do Estado de direito contra elementos que ameaçam nossa segurança nacional", disse pela televisão o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. "Deveriam se ocupar de seus assuntos", acrescentou em sua primeira intervenção desde as prisões, no domingo.
Com uma nova Comissão, em Bruxelas, e um novo governo, em Ancara, "existe a possibilidade de um novo começo" nas relações entre a UE e a Turquia, que há anos aspira se unir à União Europeia, afirmou Mogherini em Bruxelas.
"Membros do governo nos disseram que o caminho da Turquia para a UE não passava tanto pela economia quanto pelos valores e os princípios, a começar pelo Estado de Direito", ressaltou. "A ideia era e ainda é que é preciso trabalhar de forma constante e coerente na adesão. Isto significa dizer dos dois lados", advertiu a chanceler europeia.
As negociações de adesão foram retomadas no ano passado, depois de três anos congeladas, mas o clima voltou a ficar tenso entre Bruxelas e Ancara. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, também se disse preocupado com estas prisões na Turquia. "Devemos poder arguir argumentos e contra-argumentos em liberdade, sem ficar intimidados e sem o risco de ser preso por ser jornalista", comentou nesta segunda-feira.
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