Ucrânia, União Europeia e Rússia chegaram a um acordo nesta quinta-feira para garantir o fornecimento de gás russo aos ucranianos durante o inverno europeu.
Segundo uma fonte europeia, as três partes, que negociavam desde quarta a conclusão de um acordo que permitisse à Ucrânia saldar suas dívidas e pagar o gás à Rússia adiantado, concederão uma entrevista coletiva à imprensa para apresentar o seu conteúdo.
A delegação russa que havia retornado a Moscou durante madrugada após uma noite de negociações, voltou nesta quinta-feira para Bruxelas, conforme explicou à AFP o porta-voz da companhia energética russa Gazprom, Serguei Kuprianov.
"Estamos indo para o aeroporto", havia dito Kuprianov.
A Gazprom havia anunciado pela manhã que a última rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia, iniciada na quarta-feira em Bruxelas, estava suspensa à espera de que Kiev chegasse a um acordo com a União Europeia para que o bloco financiasse a dívida ucraniana.
Kiev e Bruxelas chegaram a um acordo sobre o financiamento das dívidas pela companhia de gás ucraniana Naftogaz, que a Gazprom avalia em 5,3 bilhões de dólares.
Antes do anúncio do acordo, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, havia pedido nesta quinta que todas as partes aproveitassem a oportunidade para garantir o abastecimento de gás à Ucrânia.
Quase insolvente
O comissário europeu de Energia, Gunther Oettinger, reconheceu na quarta-feira pela manhã que "a Ucrânia tem graves problemas de pagamento, é quase insolvente".
"Kiev já recebeu bilhões em ajuda do FMI e da UE e deve utilizar uma parte para comprar gás", comentou. Mas Oettinger considerou que o governo ucraniano tem que pagar os gastos correntes, como "reconstruir estradas e comprar armas".
A Ucrânia havia pedido uma linha de crédito adicional à UE de 2 bilhões de euros (cerca de 2,5 bilhões de dólares).
Um terço do gás que a UE compra da Rússia, principal fornecedor do bloco, passa pela Ucrânia. Sem o acordo, Bruxelas temia que as autoridades ucranianas se vissem tentadas a desviar o gás comprado pelos europeus.
A crise do gás trouxe mais tensão às relações do bloco com a Rússia. Nesta semana, a UE decidiu manter suas sanções a Moscou e na quarta-feira o país se declarou disposto a reconhecer as eleições convocadas pelas autoridades pró-russas das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk no leste da Ucrânia.
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