Milhares de pessoas voltaram a protestar nesta quarta-feira na capital de Burkina Faso contra um projeto de reforma constitucional que permitiria prolongar o mandato do presidente Blaise Compaoré, após 27 anos no poder.
Centenas de milhares de manifestantes saíram às ruas na terça-feira em Uagadugu pelo mesmo motivo.
Uma greve convocada pelos sindicatos e a sociedade civil provocou lentidão nesta quarta-feira no funcionamento dos serviços públicos e em algumas empresas.
O Parlamento do país examinará na quinta-feira um projeto de lei polêmico, que pretende revisar o artigo 37 da lei fundamental para permitir a Compaoré, que deve abandonar o poder em 2015, governar durante três quinquênios, ao invés de dois.
A mudança permitiria que ele disputasse novamente as eleições presidenciais.
Compaoré, que chegou ao poder em 1987 com um golpe de Estado, concluirá no próximo ano seu segundo quinquênio (2005-2015), depois de dois mandatos de sete anos (1992-2005).
Compaoré tinha 36 anos quando tomou o poder em outubro de 1987, após um golpe de Estado contra seu outrora amigo Thomas Sankara, um carismático e jovem líder conhecido como o "Che Guevara Africano", que foi assassinado depois de ser derrubado do poder.
A oposição teme que a mudança constitucional, que não deveria ter caráter retroativo, leve o chefe de Estado, eleito quatro vezes com maioria esmagadora, a tentar permanecer no poder por mais 15 anos.
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