Mostra foi suspensa após ameaças de grupos radicais católicos da Argentina - Foto: POPA Galería/DivulgaçãoUma exposição de bonecos que mostra Ken como Jesus crucificado e a Barbie vestida como a Virgem de Guadalupe, que seria inaugurada no sábado em Buenos Aires, foi suspensa por ameaças de grupos radicais católicos. A galeria argentina P.O.P.A., em comunicado, alegou que a medida visa preservar a segurança dos visitantes. Além de Jesus, os artistas usam os bonecos para retratar outras figuras religiosas.
"Os artistas foram intimidados por grupos católicos que ameaçaram vir no sábado. Tudo está suspenso até que possamos realizar a exposição com total segurança", disse à AFP Marcelo Boco, diretor da galeria P.O.P.A. Bosco afirmou que os organizadores não queriam "correr o risco de exibir a obra, que significa um ano de trabalho para os artistas".
- Foto: Facebook/ReproduçãoNo comunicado, registrado em uma rede social, a galeria "P.O.P.A. vem anunciar que a abertura da exposição de "Pool & Marianela: The Plastic Religion foi suspensa até novo aviso". Os organizadores também revelaram que as ameaças foram repetidas e que "os artistas decidiram não expor o seu trabalho, temendo pela segurança física dos visitantes", acrescentou. A galeria finalizou lamentando disse que espera que a situação seja resolvida em breve.
A mostra "Barbie: ThePlasticReligion" foi realizada por Pool Paolini e Marianella Perelli, dois artistas argentinos que revolucionaram as redes sociais ao transformar bonecos em figuras religiosas. "Tomamos esta medida porque acreditamos que o sentido da obra foi mal interpretado e, sobretudo, distorcido. Nunca quisemos ofender as pessoas de fé, independentemente da religião que professam", disseram os artistas em um comunicado.
Os jovens criadores explicaram que elegeram a Barbie por representar o padrão de beleza atual e por ter sido tomada como modelo estético por adolescentes e mulheres latino-americanas. "É triste e frustrante para nós, que sentimos a expressão artística como definição de vida, ter que reprimir aquilo que nos motiva. Esta não é a primeira vez que isto acontece", disseram Paolini e Perelli, que se definem como católicos.
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Com AFP)