A guerrilha comunista das Farc propôs neste sábado criar "políticas nacionais" para promover o "perdão social e político" na Colômbia, como uma "condição inevitável" para superar a violência no país e favorecer a reconciliação nacional.
"O perdão é uma condição inevitável para o nascimento de uma nova Colômbia, pois rompe a lógica da vingança, do ressentimento e do castigo, dando a oportunidade para a superação da violência", disse o negociador da guerrilha Sergio Ibáñez.
Antes de iniciar uma nova rodada de negociações de paz com o governo colombiano em Havana, Ibáñez ressaltou que "o perdão tem essa força inestimável de liberar o presente e o futuro da carga imposta pelos atos do passado", uma vez que favorece o processo de "reconciliação nacional".
As Farc propuseram então a criação de "demonstrações públicas de perdão social e político" por todo o país, e que sejam aplicadas "políticas nacionais" que promovam esse sentimento, ressaltando que este "só pode ser concedido pelas vítimas do conflito e pelo conjunto da sociedade".
A convocatória se encontra em uma das três propostas -em um total de dez- apresentadas pelo grupo guerrilheiro neste sábado à imprensa.
As sete propostas restantes foram anunciadas no início deste mês em Havana pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Dados oficiais apontam que o conflito armado que envolve as guerrilhas de esquerda, paramilitares de direita e agentes do Estado deixou aproximadamente 220 mil mortos e 5,3 milhões de deslocados em mais de 50 anos.
Desde o início das negociações de paz, em novembro de 2012, as partes chegaram ao consenso sobre três dos seis pontos da agenda: reforma rural (maio de 2013), participação política (novembro de 2013) e drogas ilícitas (maio de 2014).
Além da atenção às vítimas, atualmente em discussão, estão pendentes os temas de abandono das armas pelas Farc e o mecanismo para referendar um eventual acordo de paz.
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