O governo filipino afirmou nesta quinta-feira que não negocia com terroristas e rejeitou as exigências do grupo radical islamita que ameaça matar um refém alemão.
As autoridades filipinas acreditam que o grupo não tem motivações políticas, mas está atrás de dinheiro, e para conseguir isso, aproveita a crise internacional provocada pelo Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque.
O centro americano de vigilância de sites islamita, SITE, anunciou na terça-feira que o grupo filipino Abu Sayyaf sequestrou dois cidadãos alemães.
Os islamitas filipinos exigem o pagamento de um resgate de 4,37 milhões de euros e a suspensão do apoio de Berlim aos bombardeios americanos contra o EI, caso contrário ameaçam decapitar um dos reféns.
"Não negociamos com terroristas", declarou o ministro da Defesa filipino, Voltaire Gazmin.
A Alemanha também afirmou que não mudará sua política em relação à Síria e ao Iraque.
Gazmin confirmou que o Abu Sayyaf, um pequeno grupo islamita do sul das Filipinas, sequestrou um homem e uma mulher enquanto o casal navegava pelo litoral da ilha de Palawan.
"Estão fazendo propaganda para obrigar o governo a se curvar a suas exigências.
"Eles viram o que o EI estava fazendo e resolveram usar da tática para aumentar o resgate exigido".
Fundado no início dos anos 1990 com financiamento da Al-Qaeda, Abu Sayyaf cometeu vários atentados violentos, como o incêndio em um ferry, em fevereiro de 2004, que deixou 116 mortos.
O grupo, integrado por algumas centenas de membros, sobrevive graças ao apoio das comunidades muçulmanas no sul das Filipinas e do dinheiro que obtém dos sequestros e outras atividades criminosas.
Nos vídeos postados na internet, em julho, Abu Sayyaf proclamou sua lealdade ao EI.
O chefe do comando militar para o sul das Filipinas, general Rustico Guerrero, deu pouca importância a esta suposta lealdade.
"Eles tentam se aproveitar da situação para aumentar o preço do resgate", resumiu.
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