Enquanto as forças de segurança norte-americanas se preparam para fazer ataques aéreos na Síria, a primeira demonstração da campanha mais agressiva do presidente Barack Obama contra o Estado Islâmico deve ocorrer já no começo da próxima semana, no Iraque, informaram autoridades ontem.
Mais soldados norte-americanos, além de aeronaves adicionais para coleta de informações, também devem chegar ao norte do Iraque na semana que vem. Isso permitirá a ampliação do esforço de monitoramento sobre a Síria. Sem entrar em detalhes sobre as datas, o secretário de imprensa do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, disse que a campanha aérea no Iraque – que começou em 8 de agosto – entrará em nova fase mais agressiva, projetada para explorar as fraquezas do Estado Islâmico, inclusive a falta de defesas efetivas contra os aviões de guerra norte-americanos.
"Nos próximos dias, teremos que ser mais agressivos e mudar o foco do que tem sido até hoje. Uma estratégia primeiramente defensiva para uma ofensiva em sequência”, disse Kirby.
A administração Obama tem tentando retratar a estratégia do presidente, detalhada em um depoimento à nação na quarta-feira, como mais do que uma campanha militar. O governo americano insiste que a diplomacia regional e internacional é tão importante quanto as ações militares e tem cuidadosamente tentado diferenciar este esforço daqueles empregados nas guerras no Iraque e no Afeganistão.
AJUDA HUMANITÁRIA
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, anunciou ontem ajuda humanitária de cerca de US$ 500 milhões para a população e países afetados pela guerra civil na Síria. O pacote de ajuda inclui mais de US$ 250 milhões para apoiar refugiados e comunidades de acolhimento nos países vizinhos afetados pela crise”, disse Kerry, em comunicado. Existem cerca 3 milhões de refugiados sírios registrados em países vizinhos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mas muitos continuam deslocados na própria Síria por causa do avanço dos militantes islâmicos ou estão tendo dificuldade para chegar a passagens de fronteira abertas.
A agência de refugiados da ONU (Acnur) disse há duas semanas que quase a metade de todos os sírios tinham sido forçados a deixar suas casas por causa do conflito, e um total de 6,5 milhões estariam deslocadas dentro da Síria. As maiores concentrações de refugiados estão no Líbano (1,17 milhão), Turquia (830 mil) e Jordânia (613 mil), de acordo com o Acnur. Outros 215 mil estão no Iraque, Egito e em outros países.