Jornal Estado de Minas

EUA farão ataques mais agressivos

Jorge Macedo - especial para o EM

Enquanto as forças de segurança norte-americanas se preparam para fazer ataques aéreos na Síria, a primeira demonstração da campanha mais agressiva do presidente Barack Obama contra o Estado Islâmico deve ocorrer já no começo da próxima semana, no Iraque, informaram autoridades ontem.

Na Síria, aeronaves dos EUA e drones darão início às operações de coleta de informações sobre alvos e ameaças à defesa aérea. Ao mesmo tempo, mais alvos – talvez incluindo até líderes do Estado Islâmico – devem ser atacados no Iraque.


Mais soldados norte-americanos, além de aeronaves adicionais para coleta de informações, também devem chegar ao norte do Iraque na semana que vem. Isso permitirá a ampliação do esforço de monitoramento sobre a Síria. Sem entrar em detalhes sobre as datas, o secretário de imprensa do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, disse que a campanha aérea no Iraque – que começou em 8 de agosto – entrará em nova fase mais agressiva, projetada para explorar as fraquezas do Estado Islâmico, inclusive a falta de defesas efetivas contra os aviões de guerra norte-americanos.


"Nos próximos dias, teremos que ser mais agressivos e mudar o foco do que tem sido até hoje. Uma estratégia primeiramente defensiva para uma ofensiva em sequência”, disse Kirby.

Ele sugeriu que essa nova fase poderá ter como alvos líderes do Estado Islâmico no Iraque. As aeronaves norte-americanas já lançaram 158 ataques no país nas últimas cinco semanas. O objetivo não é destruir as forças do Estado Islâmico apenas com a força aérea, mas debilitar sua capacidade e limitar a liberdade de movimento para que os soldados iraquianos possam retomar o controle do território perdido nos últimos meses.


A administração Obama tem tentando retratar a estratégia do presidente, detalhada em um depoimento à nação na quarta-feira, como mais do que uma campanha militar. O governo americano insiste que a diplomacia regional e internacional é tão importante quanto as ações militares e tem cuidadosamente tentado diferenciar este esforço daqueles empregados nas guerras no Iraque e no Afeganistão.


AJUDA HUMANITÁRIA

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, anunciou ontem ajuda humanitária de cerca de US$ 500 milhões para a população e países afetados pela guerra civil na Síria. O pacote de ajuda inclui mais de US$ 250 milhões para apoiar refugiados e comunidades de acolhimento nos países vizinhos afetados pela crise”, disse Kerry, em comunicado. Existem cerca 3 milhões de refugiados sírios registrados em países vizinhos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mas muitos continuam deslocados na própria Síria por causa do avanço dos militantes islâmicos ou estão tendo dificuldade para chegar a passagens de fronteira abertas.

A agência de refugiados da ONU (Acnur) disse há duas semanas que quase a metade de todos os sírios tinham sido forçados a deixar suas casas por causa do conflito, e um total de 6,5 milhões estariam deslocadas dentro da Síria. As maiores concentrações de refugiados estão no Líbano (1,17 milhão), Turquia (830 mil) e Jordânia (613 mil), de acordo com o Acnur. Outros 215 mil estão no Iraque, Egito e em outros países.

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