O anúncio de quarta-feira do presidente americano, Barack Obama, de ampliar a ação contra o EI do Iraque para a Síria mudou a dimensão do conflito.
"Nosso objetivo é claro: vamos rebaixar e destruir o EI", uma "organização terrorista que não tem outra visão que o massacre de todos os que se opõem a ela", disse Obama em um discurso na quarta-feira à noite, véspera do aniversário dos atentados de 11 de setembro. "Não hesitarei em atuar contra o EI na Síria e no Iraque", completou.
O presidente americano segue descartando, no entanto, o envio de tropas terrestres. Washington também reforçará o exército iraquiano e enviará mais ajuda militar aos rebeldes sírios moderados. Obama anunciou ainda uma "ampla coalizão para aniquilar a ameaça terrorista", principalmente com os sócios dos Estados Unidos no Oriente Médio, cada vez mais preocupados com o avanço do EI, que declarou um "califado" entre a Síria e o Iraque.
Plano em prática
A reunião entre Kerry e seus colegas das monarquias do Golfo (Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã, Catar), Líbano, Egito, Jordânia, Iraque e Turquia em Jidá pretende definir o modo de aplicar o plano americano.
Washington pretende reforçar as bases no Golfo e aumentar os voos de vigilância, segundo uma fonte do Departamento de Estado. A Arábia Saudita será um "elemento chave da coalizão por seu tamanho, peso econômico e alcance religioso com os sunitas", disse.
"A Turquia não participará em nenhuma operação armada, mas se concentrará totalmente nas operações humanitárias", confirmou à AFP uma fonte governamental que pediu anonimato, antes de indicar que Ancara poderia autorizar o uso da base militar de Incirlik para operações logísticas. Vários países europeus também ofereceram apoio aos Estados Unidos.
Mas o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, disse nesta quinta-feira que o Reino Unido "não vai participar em nenhum ataque aéreo na Síria", apesar de não ter descartado a possibilidade de fazer isso no Iraque.
Advertências sobre os ataques
O governo do Iraque elogiou o anúncio de que o governo americano enviará 475 conselheiros militares a mais ao país para formar e ajudar as forças curdas e iraquianas. Até o momento, Obama havia insistido em virar a página após 10 anos de guerra no Iraque, de onde as tropas americanas saíram em 2011.
Desde 8 de agosto aconteceram mais de 150 ataques aéreos, que foram determinantes para permitir ao exército recuperar territórios controlados pelo EI. Na Síria, a posição de Washington é mais delicada, pois enfrenta um inimigo comum ao presidente Bashar al-Assad.
A Coalizão Nacional da oposição síria saudou o anúncio e pediu ações contra o governo de Assad, por considerar sua queda uma condição necessária para uma "região estável e sem extremistas". Mas o ministro sírio da Reconciliação Nacional, Ali Haidar, afirmou que "qualquer ação de qualquer tipo sem o consentimento do governo seria um ataque à Síria".
"É necessário cooperar e coordenar com a Síria e obter seu aval para qualquer ação em seu território, seja militar ou não". Para a Rússia, "sem uma decisão apropriada do Conselho de Segurança da ONU, uma iniciativa deste tipo constituiria um ato de agressão, uma violação flagrante do direito internacional". Nesta quinta-feira, os 45 capacetes azuis sequestrados em 28 de agosto nas Colinas de Golã na Síria foram libertados, segundo a ONU..