O presidente da Ferrari, Luca Cordero di Montezemolo, anunciou nesta quarta-feira que deixará a direção da montadora italiana e da escuderia de Fórmula 1 no dia 13 de outubro, informa um comunicado do grupo Fiat.
A partir desta data, a presidência da Ferrari será responsabilidade de Sergio Marchionne, diretor da Fiat, segundo o comunicado.
"Luca Cordero di Montezemolo deixará, a seu pedido, a presidência da Ferrari a partir de 13 de outubro, depois das comemorações do 60º aniversário da presença da Ferrari nos Estados Unidos", afirma a nota oficial.
Montezemolo, que comanda a Ferrari há quase 23 anos, paga o preço pela falta de resultados na Fórmula 1 nos últimos seis anos.
No início da semana, Marchionne, diretor do grupo Fiat-Chrysler, afirmou que uma mudança no comando da Ferrari "não estava na ordem do dia", mas reiterou que "ninguém é indispensável".
"Os resultados econômicos de Montezemolo são muito bons, mas, no caso da Ferrari, um dirigente deve ser avaliado pelos resultados esportivos.
"Encerramos assim uma era e abrimos outra diferente", comentou Montezemolo durante uma coletiva de imprensa conjunta com Marchione.
De acordo com a imprensa italiana, Montezemolo acredita que a Ferrari tenha se transformado em uma empresa totalmente americana, depois de a Chrysler ter adquirido no início do ano o grupo Fiat, dono da Ferrari.
A Ferrari registra atualmente novos recordes de vendas graças aos resultados comerciais nos Estados Unidos e ao desenvolvimento do mercado chinês, com um volume de negócios que gira em torno de dois bilhões de euros para o grupo Fiat-Chrysler.
Um dos pontos de discórdia entre os dirigentes tem sido a decisão de Montezemolo de limitar a fabricação de automóveis de luxo a somente 7.200 unidades por ano, em uma estratégia que visa a manter o prestígio da marca. Mas Marchionne quer aumentar a produção para 10.000 por ano.
Mercado de Luxo
O silêncio do presidente da Fiat-Chrysler, John Elkann, neto do lendário dono da Fiat Gianni Agnelli, "padrinho" de Montezomolo na Ferrari desde os anos 70, leva a crer que a influente família aprova as mudanças.
A Ferrari é a escuderia mais famosa da F1. Seus pilotos conquistaram 15 vezes o Mundial desde 1950.
"O desejo comum de ver a Ferrari mostrando todo o seu potencial na pista nos levou a ter alguns desentendimentos que foram manifestados publicamente no último fim de semana. Agradeço pessoalmente a Luca por tudo o que fez pela Fiat, pela Ferrari e por mim", escreveu Marchionne em comunicado, reiterando essa palavras depois na coletiva de imprensa.
A Ferrari terá um papel importante dentro da Fiat-Chrysler, em sua entrada na Bolsa de Valores de Nova York, em um processo que precisa ser liderado pelo novo CEO do grupo, segundo Montezemolo.
A imprensa italiana acredita que Marchionne pretende criar um "polo de luxo" dentro da Fiat-Chrysler, com marcas como Ferrari, Maserati e Alfa-Romeo, enquanto Montezemolo queria manter a independência da marca e permanecer outros três anos à frente da Ferrari.
"Não temos a intenção de integrar a Ferrari no sistema da Fiat-Chrysler porque não queremos que se contamine com um sistema concebido para o mercado de massas", disse Marchionne durante a coletiva de imprensa conjunta, rejeitando os rumores da imprensa.
Para dar a volta por cima
Apesar dos resultados negativos no domingo em Monza dos pilotos Fernando Alonso, que abandonou por problemas elétricos, e Kimi Raikkonen, que chegou na nona colocação, a Ferrari "continua sendo uma lenda, um patrimônio para o mundo automobilístico", lembrou o francês Jean Todt, ex-diretor da escuderia.
"A paixão dos torcedores pela Ferrari continua intacta", garantiu Montezemolo, que prometeu durante a coletiva que vai fazer com que a equipe volte a conquistar títulos.
"Estamos tendo um ano ruim porque descartamos a importância e as dificuldades do novo sistema do motor, que não é tradicional. A Fórmula 1 entrará em um ciclo novo. Temos tudo para voltar a vencer", declarou.
A Ferrari não conquista o Mundial de Pilotos desde a temporada 2007, quando Raikkonen ficou com o título.
Paralelamente, a Mercedes, uma das grandes rivais da Ferrari, investiu 500 milhões de euros no novo motor V6 turbo híbrido e vem dominando a temporada 2014.
Marco Mattiacci, diretor da escuderia, estipulou como meta o ano de 2016 para que os italianos voltem a vencer nas pistas.
"A Ferrari está com ótima saúde. Montezemolo fez um trabalho excelente.