Brasília – “Nenhuma pressão internacional nos impedirá de atacar os terroristas que nos agridem.” O alerta do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sugere que Israel está determinado a levar a Operação Cerca Protetora às últimas consequências para minar a infraestrutura do movimento islâmico Hamas.
Até o fechamento desta edição, os bombardeios ao enclave palestino tinham deixado 110 mortos e mais de 600 feridos. O chanceler israelense, Avigdor Liberman, pediu a Netanyahu para “ir até o fim” e “erradicar o regime do Hamas em Gaza”. O grupo islâmico controla o território e mantém um governo de unidade com o Fatah, do líder palestino, Mahmoud Abbas. Pela primeira vez desde o começo da atual crise, um foguete lançado a partir do Líbano caiu na cidade de Metula, na fronteira Norte de Israel.
Horas depois do telefonema do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a Netanyahu, a Casa Branca se ofereceu a utilizar sua influência no Oriente Médio para forçar um cessar-fogo. Segundo o porta-voz Josh Earnest, os EUA têm “uma série de contatos” que podem ser usados para “tentar dar um fim aos ataques com foguetes”. “Estamos interessados em levar adiante os passos que demos há um ano e meio, em novembro de 2012, para proporcionar um cessar-fogo”, declarou. Mas ele destacou o direito de Israel à autodefesa. Abbas reconheceu estar sozinho na luta por uma solução baseada em dois Estados e exortou ao Conselho de Segurança da ONU a ordenar uma trégua imediata. Primeira nação a assinar um tratado de paz com Israel, em 1979, o Egito condenou a “política de punição coletiva” em Gaza. O premiê da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, denunciou uma política baseada em “mentiras” por parte dos israelenses. “Ele (Israel) diz que (o Hamas) dispara foguetes. Mas alguém morreu?”, indagou.
A ofensiva contra Gaza parece não ter afetado o poder de fogo dos militantes palestinos. Durante todo o dia de ontem, as sirenes antiaéreas soaram no Centro e no Sul de Israel. Em Telavive, quatro foguetes de longo alcance M75 explodiram ao ser interceptados pelo Domo de Ferro. O Hamas afirmou que pretendia atingir o Aeroporto Internacional Ben-Gurion. Em Beersheva, 94 quilômetros ao Sul, duas israelenses ficaram feridas após um foguete acertar uma casa.
Outro projétil burlou o escudo antimísseis e atingiu um posto de gasolina em Ashdod. “Acabei de sair do abrigo antibombas. Tudo o que espero é que o conflito termine logo”, desabafou o russo Ilya Portnov, de 27 anos, por meio da internet, às 20h05 (14h05 em Brasília). Segundo ele, as sirenes soaram seis vezes ontem. “Além do posto, um caminhão-tanque pegou fogo. Como eu estava no Centro da cidade e o posto fica ao norte, pude ver a fumaça a distância. À noite, houve duas fortes explosões, sem alerta vermelho”, relatou Ilya, que trocou Moscou por Ashdod em 13 de janeiro.
ATIVISMO Na Cidade de Gaza, um ataque ao porto destruiu vários barcos, entre eles o Gaza Ark (“Arca de Gaza”, pela tradução livre), construído no ano passado para romper o embargo israelense. “Depois da zero hora de hoje (ontem), Israel começou a disparar contra o porto. Houve enormes explosões e o Gaza Ark começou a queimar. A Defesa Civil controlou o incêndio após 45 minutos, mas a embarcação ficou arruinada”, lamentou à reportagem, por telefone, Mahfouz Kabariti, gerente do projeto Ark Gaza, financiado por civis de países árabes, dos EUA, do Canadá, da Austrália e da Turquia.
A dona de casa palestina Sally Idwedar, de 30 anos, confirmou que Gaza está à beira de uma catástrofe humanitária. “Os hospitais estão com baixo estoque de medicamentos e suprimentos. Uma tubulação de água que abastecia os campos de refugiados foi destruída. Na madrugada passada, dispararam mísseis perto de hotéis, no porto, e sobre ambulâncias, escolas e hospitais. Não há lugar seguro.” Ontem, 34 organizações não governamentais pediram uma trégua e respeito aos direitos humanos.