Jornal Estado de Minas

Tanques, aviões e gases, as inovações da Primeira Guerra Mundial

AFP

Dois mundos se colidem, a guerra empurra a tecnologia bélica: antigos canhões de guerra perdem lugar para os novos armamentos - Foto: REUTERS/Collection Odette Carrez


Aviões de combate, tanques, submarinos e gases tóxicos entraram em cena durante a Primeira Guerra Mundial, em um trágico reflexo da corrida armamentista entre os países beligerantes de 1914 a 1918, na tentativa de dizimar o inimigo.

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"Tempestade de aço" foi o título escolhido pelo escritor alemão Ernst Jünger para descrever o que os combatentes sofreram durante quatro anos, principalmente na frente ocidental, onde foram travadas as batalhas mais longas e sangrentas.


Nas primeiras semanas, os bombardeios sistemáticos provocaram consideráveis perdas humanas, assim como as metralhadoras, que levantavam muros de balas contra os que se atreviam a cruzar a terra de ninguém. Ambos os lados desenvolveram rapidamente uma artilharia pesada, com uma potência nunca antes vista.


Em consequência, todos os soldados se viram obrigados e a se proteger em trincheiras, ao mesmo tempo em que os generais buscavam soluções para alcançar as linhas inimigas.


A revolução dos tanques

 

Tanque British Mark I, o blindado não apresentou os resultados esperados, mas determinou uma grande mudança no maquinário militar - Foto: AFP PHOTO / Historial de Peronne, Museum of WW1

Os britânicos testaram um veículo blindado, que se movimentava por meio de esteiras, já em 1914, para acompanhar a infantaria. Em 1916, na batalha do Somme, foi utilizado pela primeira para o combate, mas com resultados pouco convincentes.


O nome "tanque" veio de uma ideia dos ingleses para manter em segredo a nova arma: retrataram os protótipos como se fossem "tanques de água", para transporte.


Os alemães cometeram o erro de não apostarem no futuro dos veículos, ao contrário dos franceses, que se equiparam rapidamente com ágeis tanques Renault, essenciais na vitória final, em 1918.


O capacete de metal generaliza-se por todos os exércitos em 1915, assim como o uso do arame farpado, para impedir o avanço dos inimigos, que matou milhares de soldados.


O terror dos gases


O uso de gases mortais teve início durante os conflitos da Primeira Guerra Mundial, acelerando a produção de armas químicas e biológicas - Foto: REUTERS/Archive of Modern Conflict London

A guerra acabou com qualquer iniciativa para regular os armamentos. E a inovação mais aterradora, os gases tóxicos, utilizados pela primeira vez pelos alemães, afetou profundamente as pessoas.


Em abril de 1915, em Ypres, na Bélgica, soldados franceses e belgas viram uma fumaça espessa vinda das trincheiras alemãs. "Vi uma nuvem verde, de uns dez metros de altura, e muito espessa na sua base, tocando o solo. A nuvem avançava em nossa direção, empurrada pelo vento. Então, nós começamos a ficar sufocados", contou o tenente francês Jules-Henri Guntzberger.


Os gases aterrorizaram os combatentes.

Tomados pelo pânico, cegos ou asfixiados, milhares morreram sob um sofrimento cruel. Os dois lados aperfeiçoaram as armas químicas durante o conflito, mas sempre com o receio de sua técnica ser usada contra eles mesmos.


Para se defenderem, os soldados usavam óculos e máscaras de proteção ou improvisavam, cobrindo os rostos com panos molhados.


As armas químicas foram responsáveis por menos de 1% das mortes do conflito, mas marcaram a memória do conflito.


A morte vinda do céu


Com o uso dos aviões as guerras passaram a ser combatidas também pelo ar - Foto: AFP / DOMINIQUE CHABROL & ERIC RANDOLPH

Independentemente de estarem bem ou mal protegidos nas trincheiras, para os soldados o perigo passou a vir também do céu. Em 1914, a aviação estava dando seus primeiros passos, principalmente no seu uso para combate. Por isso, os aviões inicialmente foram usados somente como postos de observação.


Os avanços obtidos nos quatro anos seguintes - o Exército francês chegou a contar com cerca de 3.7000 aviões - são a prova da forte mobilização industrial que essa arma causou.


Verdun, no leste da França, foi o palco da primeira grande batalha aérea, em 1916. "Se a Grande Guerra foi uma batalha terrestre por excelência, pôs em primeiro plano um conceito estratégico que se consolidou nos conflitos posteriores do século XX: o domínio do céu como condição indispensável para toda ação de envergadura em terra", escreveu o historiador francês Jean-Yves Le Naour, em seu livro "Dicionário da Grande Guerra".


O submarino entra na guerra

 

A capacidade de ataque dos submarinos provocou uma corrida para o desenvolvimento de armas capazes de abatê-los - Foto: Reprodução / Wikipédia

A guerra naval também teve inovações. Os alemães, que não quiseram competir com o domínio britânico no mar, construíram, em vez disso, submarinos - chamados de "U-Boot", abreviação de Unterseeboot - em grande escala, desde o início do conflito. Em 1915 dispunham de 15 submarinos, dois anos depois, em 1917, já eram 150. No total, foram usados 350.


Com a ideia de romper o bloqueio imposto pela Inglaterra, Berlim iniciou a primeira guerra submarina, no Mar do Norte. Sua ampliação, em 1917, para tentar asfixiar os aliados, acabou voltando-se contra si, porque foi um dos pontos determinantes para os Estados Unidos entrarem na guerra.


No entanto, nenhuma dessas armas foi decisiva por si só. Foi a poderosa máquina de guerra industrial de Washington que inclinou a balança em favor dos aliados, frente aos desgastados impérios centrais.


Mas com a potência de fogo desenvolvida e a exibição de invenções mortíferas, a Primeira Guerra Mundial já prenunciava a maioria dos conflitos bélicos que estavam por vir.

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