Jornal Estado de Minas

Ataques do Boko Haram deixam cerca de 500 mortos na Nigéria

AFP

Centenas de pessoas podem ter sido mortas em ataques, supostamente realizados pelo grupo islamita Boko Haram, em quatro vilas no nordeste da Nigéria, informaram fontes locais nesta quinta-feira.

Homens armados, com uniforme militar, invadiram o distrito de Gwoza, no estado de Borno, na noite de terça-feira, destruindo casas, igrejas e mesquitas, e matando os moradores que tentavam fugir.

Líderes comunitários calculam as vítimas entre 400 e 500 pessoas, embora não tenha sido feito um levantamento por parte de fontes independentes devido à má qualidade das comunicações e à dificuldade em levar serviços de emergência ao local.

Outro incidente, em Maiduguri, também no nordeste do país, deixou 45 mortos.

Integrantes do Boko Haram fingindo ser pregadores abriram fogo contra a multidão, de acordo com moradores.

Se confirmado, o ataque nas vilas de Goshe, Attagara, Agapalwa e Aganjara seria um dos piores na insurgência islâmica do país, que já dura cinco anos.

No último dia 5 de maio, mais de 300 pessoas morreram em um atentado na cidade de Gamboru Ngala.

"Foram assassinatos em massa, mas ninguém pode indicar um número, porque ninguém conseguiu chegar ao lugar, e porque os insurgentes ainda estão lá. Eles tomaram toda a área", explicou à AFP Peter Biye, parlamentar local.

"Há corpos espalhados por todas as áreas, e as pessoas estão fugindo", acrescentou Biye, que representa Gwoza na Câmara dos Deputados.

A situação foi descrita por moradores como "crise humanitária", enquanto alguns pediam a entrada de grupos independentes para enterrar os mortos.

- Retaliação -

Relatos dizem que os militantes continuaram com o ataque na quarta-feira, roubando comida e ateando fogo em casas de toda a região.

"Centenas de corpos estão lá... Porque não há ninguém para enterrá-los", explicou um líder comunitário de Attagara, pedindo anonimato.

Ele afirmou que somente as mulheres foram poupadas, e que meninos foram "arrancados de suas mães e mortos".

Além disso, quem tentou fugir foi perseguido e morto por homens em motocicletas, acrescentou.

O distrito de Gwoza é cercado por montanhas e pela floresta Sambisa, onde o grupo terrorista Boko Haram tem uma base.

O governo realizou uma busca neste floresta onde estariam as mais 200 estudantes sequestradas em abril pelo mesmo grupo que renega a educação ocidental.

Muitas pessoas fugiram pela fronteira com Camarões, enquanto soldados foram enviados para libertar as vilas, segundo Biye.

O governo também teria bombardeado a área, mas a informação não foi confirmada pelas autoridades.

Residentes de Attagara, vilarejo de maioria cristã, acreditam que o ataque foi uma retaliação à morte de quatro integrantes do Boko Haram, que atacaram uma igreja e mataram nove pessoas.

Além disso, sete militantes também teriam morrido durante outro ataque recente.

O Boko Haram ("A educação ocidental é um pecado" em língua hausa), que deseja impor a lei islâmica no norte da Nigéria, matou milhares de pessoas desde 2009 e atacou escolas do nordeste do país em várias oportunidades.

A maioria dos ataques recentes foi cometido no nordeste da Nigéria, reduto histórico do grupo, onde o Exército mantém uma grande ofensiva contra os islamitas.

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