Jornal Estado de Minas

Tailândia: Exército convoca lideranças de partes em conflito

AFP

O Exército da Tailândia, que assumiu o poder na quinta-feira com um golpe, convocou nesta sexta mais de 100 personalidades - dos dois lados em conflito - para comparecer a uma unidade militar no norte de Bangcoc.

"No total, foram convocadas 114 pessoas, a maioria ex-políticos do partido Puea Thai (governo deposto) e do Partido Democrata (oposição)", declarou um oficial do Exército na televisão.

O primeiro-ministro, Niwattumrong Boonsongpaisan, já se apresentou em um complexo militar ao norte de Bangcoc, revelou um oficial.

"No total, 38 pessoas já responderam à convocação, entre elas Niwattumrong", que dirigia o governo interino após a destituição da premier Yingluck Shinawatra.

A ex-primeira-ministra e outros três familiares do polêmico ex-chefe de governo, o multimilionário exilado Thaksin Shinawatra, estão convocados.

Além da irmã de Thaksin, Yingluck, primeira-ministra desde 2011 antes de ser destituída pela Justiça no início de maio, está seu cunhado Somchai Wongsawat, entre outros.

Wongsawat também era primeiro-ministro quando a Justiça o destituiu, em 2008.

Thaksin foi derrubado no golpe de Estado, em 2006.

O Exército tailandês anunciou um golpe de Estado na quinta, decretando o toque de recolher e a suspensão da maioria das liberdades individuais, depois de sete meses de crise política e de manifestações.

Os militares também ordenaram que os manifestantes dos dois lados, acampados em Bangcoc, fossem para suas casas, e proibiu qualquer concentração de mais de cinco pessoas.

O novo regime também suspendeu a Constituição, mas decidiu manter o Senado, afirmando que isso permitirá governar o país sem problemas.

Depois de menos de três dias de lei marcial, destinada, de acordo com o Exército, a forçar o diálogo entre os atores civis da crise política, o poderoso chefe do Exército, general Prayut Chan-O-Cha, apareceu durante a tarde de quinta na televisão para explicar que o golpe era necessário "para o país voltar ao normal".

O general destacou a violência no país, que deixou 28 mortos desde o início da crise no ano passado, principalmente durante manifestações.

"Todos os tailandeses devem manter a calma e os funcionários públicos devem continuar a trabalhar como de costume", acrescentou.

Mas um toque de recolher foi decretado em todo o país e as emissoras de televisão e rádio precisaram interromper suas programações e difundir boletins do novo regime militar.

"O objetivo é fornecer informações precisas à população", leu um porta-voz militar na televisão, que exibia apenas fotos de soldados em um fundo branco entre as declarações lidas pelo militar.

As redes sociais também serão submetidas ao controle dos militares.

O conteúdo considerado "crítico" vai ser bloqueado.

A Tailândia sofreu 18 golpes de Estado ou tentativas em cerca de 80 anos. O último, em 2006, contra o então primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que desencadeou uma série de crises políticas, levando às ruas inimigos e simpatizantes do bilionário, que continua no exílio.

A crise atual é apenas o último ato. Ela começou no outono com protestos exigindo a saída de sua irmã Yingluck, primeira-ministra desde 2011.

Deposta pela justiça no início de maio, ela foi substituída por um governo interino que sobreviveu a duras penas, muito contestado pela oposição.

O anúncio do golpe de Estado na quinta foi feito duas horas depois da retomada das negociações entre os partidos políticos e os líderes dos manifestantes dos dois lados em um complexo militar na capital mantido sob forte esquema de vigilância.

Durante as negociações, o líder do movimento pró-governo dos Camisas Vermelhas, Jatuporn Prompan, propôs um referendo nacional sobre a melhor opção para sair da crise.

Mas os dois lados, que concordaram em sentar-se à mesma mesa pela primeira vez em sete meses de crise, parecem irreconciliáveis.

Os partidários do governo insistem na necessidade de eleições o mais rápido possível, já que as de fevereiro foram invalidadas pela justiça devido às perturbações causadas pelos manifestantes.

Já os manifestantes querem um primeiro-ministro neutro, nomeado pelo Senado, na ausência da câmara baixa do Parlamento, dissolvida em dezembro.

Reação internacional

O secretário de Estado americano, John Kerry, condenou com firmeza "o golpe de Estado militar", advertindo para o risco de consequências "negativas" entre Washington e Bangcoc, dois países aliados.

"Não há justificativa para este golpe de Estado militar", denunciou em um comunicado.

E o presidente francês François Hollande condenou a tomada do poder pelo Exército e fez um apelo por "um retorno imediato à ordem constitucional" e pela organização de eleições, segundo um comunicado do Eliseu.

O chefe de Estado também pediu que "os direitos e liberdades fundamentais do povo tailandês sejam respeitados".

Já a União Europeia pediu um "retorno rápido a um processo democrático legítimo" na Tailândia.

Em um comunicado, o porta-voz da representante da diplomacia da UE, Catherine Ashton, afirmou que devem ser organizadas rapidamente "eleições sem exclusão e com credibilidade".

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