Em entrevista, o embaixador de Portugal no país, Francisco Ribeiro Telles, que está em Lisboa para as comemorações dos 40 anos da revolução, disse que, para os portugueses, o movimento está fortemente associado à liberdade e à democracia. “Portugal está em festa porque o 25 de abril restituiu a liberdade: de pensar, de escrever, de se reunir e poder se manifestar”.
Telles conta que um dos principais pilares da revolução foi a independência das colônias portuguesas na África. “Era patente a insatisfação dos militares com as guerras na África. Estávamos na contramão da história. Outros países da Europa Ocidental já haviam descolonizado”, disse. O atraso na descolonização fez com que Portugal fosse condenado nas instâncias internacionais e se sentisse isolado em sua política externa.
A insatisfação também atingia a sociedade portuguesa.
Nos últimos 40 anos de democracia, esse número diminuiu 85%, caindo para cerca de 35 mil. O embaixador português disse que, na década de 1970, Portugal tinha as Forças Armadas preparadas para a guerra e que a redução do efetivo reflete um “país em paz com sua história” e que não tem necessidade da mobilização da época.
Telles relatou que a revolução e a descolonização foram a oportunidade de o país se democratizar, culminando com a entrada em vigor da Constituição de 1976, no mesmo dia 25 de abril. Ele acredita que, “de certa forma, o que ocorreu em Portugal veio influenciar o que aconteceu no Brasil” anos depois, com o fim da ditadura, e cita a letra de Fado Tropical, música composta por Chico Buarque ainda em 1973, que dizia: “Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda vai tornar-se um imenso Portugal”..