Jornal Estado de Minas

Uganda: polícia ataca projeto contra Aids financiado por EUA

AFP

A polícia de Uganda entrou nas instalações de um projeto contra a AIDS, financiado pelos Estados Unidos, por "incitar os jovens à homossexualidade" - informou o governo, semanas depois que o presidente promulgou uma polêmica lei anti-gay.

Representantes do projeto Walter Reed - que proporciona tratamento às pessoas infectadas com o vírus da AIDS - anunciaram que as operações foram suspensas em virtude da prisão de um de seus funcionários.

Esta seria a primeira reação deste tipo desde que o presidente ugandense, Yoweri Musevini, promulgou em fevereiro uma lei que determina prisão perpétua para os homossexuais e incentiva delações.

A lei anti-gay virou alvo de reprovação internacional, e chegou a ser comparada às práticas antissemitas da Alemanha nazista pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

"A polícia invadiu hoje o projeto Walter Reed por incitação à homossexualidade", explicou à AFP o porta-voz do governo, Ofwono Opondo.

A polícia minimizou o incidente. "Não foi um atentado contra o projeto Walter Reed", afirmou à AFP o porta-voz da polícia de Campala, Ibn Senkumbi.

"Estávamos acompanhando há algum tempo uma pessoa que frequentava as instalações do projeto e estava envolvida em atividades suspeitas com outras pessoas que consistiam no recrutamento e fomento da homossexualidade entre os jovens", disse.

Além da AIDS, o projeto Walter Reed, financiado pelos Estados Unidos, trata atualmente de outras doenças contagiosas.

As operações do projeto continuarão suspensas até que as circunstâncias das "bases legais da atuação policial" sejam esclarecidas.

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