Jornal Estado de Minas

BCE mantém status quo monetário e descarta risco de deflação

AFP

O Banco Central Europeu (BCE) manteve nesta quinta-feira o status quo monetário, descartando riscos de deflação, mas se declarou disposto a acentuar sua política monetária flexível e a agir rapidamente se a situação na zona euro assim exigir.

"Não descartamos uma nova flexibilização da política monetária", ou seja, uma redução dos juros, afirmou o presidente da instituição, Mario Draghi, depois de uma reunião com o conselho de diretores, na qual se decidiu manter sem alterações sua taxa básica de juros a 0,25%.

Esse nível, já historicamente baixo e em vigor desde novembro passado, não foi modificado na reunião desta quinta, apesar da queda da inflação na zona euro em março, a 0,5% (contra 0,7% em fevereiro), longe do objetivo do BCE de mantê-lo em torno dos 2%.

A instituição de Frankfurt considera que os riscos de deflação são menores na Zona do Euro, por isso não é preciso uma intervenção de sua parte.

No momento, o BCE se aferra à perspectiva de que os preços vão subir progressivamente nos próximos anos.

"O BCE espera que a alta dos preços seja de 1% este ano, de 1,3% em 2015 e de 1,5% em 2016.

O principal efeito negativo da deflação é desestimular as compras de consumidores e empresas, que preferem esperar para pagar preços mais baixos, com a consequente paralisação da atividade econômica.

Mas a recuperação econômica progressiva na Zona do Euro parece justificar a decisão do BCE de privilegiar o status quo, ignorando os pedidos de levar adiante uma política monetária mais flexível. O próprio FMI deu "generosos conselhos" a respeito, aos quais Draghi "agradeceu" ironicamente.

Em março, o setor industrial da Zona do Euro cresceu pelo nono ano consecutivo e as diferenças foram reduzidas entre as principais economias da região.

O desemprego se manteve abaixo dos 12% em fevereiro e o número de desempregados está caindo.

"Mas não é uma razão para ficar indiferente diante de um eventual risco deflacionário ou de uma desaceleração da retomada", afirmou Draghi, acrescentando que o BCE vigia de perto a evolução dos preços.

Por isso afirmou que está disposto a usar, além dos juros, instrumentos não convencionais a sua disposição para manter a estabilidade dos preços e evitar sua queda, inclusive uma flexibilização quantitativa (quantitative easing).

Essa ferramenta não convencional da política monetária é utilizada por alguns bancos centrais para aumentar a oferta de dinheiro e a liquidez, no geral mediante a compra de ativos.

Outra dúvida diz respeito a que atitude o BCE adotará frente à revalorização do euro, que ameaça complicar as exportações e provocar a queda dos preços das importações, o que pode reduzir ainda mais a inflação.

Draghi assegurou que o nível do euro em relação a outras divisas é um elemento muito importante para a estabilidade dos preços na Zona do Euro.

"Isso será vigiado de perto", garantiu Draghi.

Por fim, a maioria dos analistas considerou que se o BCE vinha optando nos últimos meses pelo status quo e pela inação, é para preservar uma margem de manobra em caso de uma degradação brusca da situação.

"A melhor opção para o BCE é uma intervenção oral e não uma nova ação tangível", opinou Carsten Brzeski, analista da ING.

.