O governo venezuelano conseguiu nesta sexta-feira evitar um debate no Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a onda de protestos que sacode a Venezuela, e impediu que a deputada opositora María Corina Machado discursasse para os membros do órgão.
A pedido do Panamá, a agenda do Conselho Permanente previa um debate sobre a crise na Venezuela, mas a medida foi finalmente rejeitada por 22 países.
A OEA é o organismo que deve enviar uma missão de observação à Venezuela, onde uma onda de protestos contra o governo Maduro já deixou 31 mortos desde fevereiro passado, assinalou a Parlamentar. Machado solicitou ainda ao organismo regional que condene a existência de presos políticos na Venezuela, peça o fim da repressão policial e militar, e defenda o direito de protesto no país. "Na Venezuela foi alterada dramaticamente a ordem democrática. Hoje o mundo reconhece o regime venezuelano como uma ditadura".
A sessão do Conselho Permanente começou às 10H00 local, na sede da OEA em Washington, com o encontro sendo fechado a imprensa por decisão de 22 membros do órgão, incluindo Brasil, Argentina, Nicarágua e a própria Venezuela. Panamá, Estados Unidos, Colômbia, México, Chile e Peru votaram por uma sessão aberta, mas foram derrotados. Presente na sessão como "representante alternativa" do Panamá, Machado esperava apresentar a versão da oposição sobre a onda de protestos na Venezuela, mas após um debate de mais de duas horas, a maioria dos países decidiu excluir este ponto da agenda.
Finalmente, a deputada disse apenas algumas palavras ao Conselho Permanente, mas não tocou na crise venezuelana, limitando-se a agradecer ao convite do Panamá.
Machado é uma das promotoras do movimento "A Saída", que aposta na mobilização popular para obter a renúncia de Maduro, que qualifica os protestos de tentativa de golpe de Estado..