Jornais de países latino-americanos ofereceram papel a alguns veículos impressos venezuelanos que estão ficando sem o insumo, informaram seus diretores, que acusam o governo de privá-los dos dólares necessários para a compra do material, em um país de controle cambial.
"A solidariedade dos meios impressos do continente foi brutal.
Segundo Otero, as reservas de papel de "El Nacional" garantem a circulação até início de maio.
Pelo menos dez jornais já deixaram de circular, ou reduziram o número de páginas de seus cadernos, entre eles "El Nacional" e "El Impulso", o mais antigo da imprensa venezuelana com 110 anos nas ruas. O problema são os atrasos, por parte do governo, na concessão de recursos para a aquisição de papel que os jornais compram de empresas estrangeiras. A Venezuela não produz esse papel.
Otero informou ainda que, desde maio de 2013, o "Nacional" não recebe as divisas, apesar de já ter cumprido os 19 trâmites previstos nesse processo. "Isso é intencional (...). Não há dúvida alguma de que se trata de uma política de Estado para acabar com a imprensa independente", criticou.
"El Nacional" foi um dos jornais particularmente críticos ao governo e que se tornou alvo de acusações públicas do presidente Nicolás Maduro, que se refere a ele como "El Nazi-onal".
O atraso no repasse de dólares a determinados jornais "é uma decisão absolutamente cirúrgica", disse o presidente do "El Impulso", Carlos Carmona, que há três semanas publica com papel brilhante para revista e enfrenta "um futuro incerto" sobre futuras entregas.
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