Jornal Estado de Minas

Parlamento da Crimeia aprova por unanimidade a união com a Rússia

Governo Ucraniano não reconhece referendo e mobiliza tropas

AFP
Moradores de Simferopol comemoram resultado do referendo sobre a anexação da Rússia - Foto: TOPSHOTS/AFP PHOTO/DIMITAR DILKOFF

O parlamento regional da Crimeia proclamou a península como um estado independente após o resultado final do referendo de ontem. Com 96,77%, os eleitores decidiram que a região deve se separar da Ucrânia e voltar a fazer parte do território da Rússia.

"A república da Crimeia pede às Nações Unidas e a todos os países do mundo seu reconhecimento como Estado independente", afirma o texto aprovado pelo Parlamento em Simferopol.

A votação dos parlamentares ocorreu após o anúncio final do referendo. Eles também decidiram nacionalizar todas as propriedades estatais da Ucrânia em território crimeniano.

O referendo não foi reconhecida pelas grandes potências ocidentais. Os Estados Unidos e a União Europeia estão preparando sanções econômicas contra a Rússia, que ocupou a Crimeia nas últimas semanas.

Uma delegação de deputados do parlamento regional está viajando nesta segunda-feira para Moscou na tentativa de formalizar a anexação do território. Os deputados russo já havia sinalizado que a integração não seria um problema.

A nacionalização de todos os bens do Estado ucraniano na Crimeia pode incluir as bases militares cercadas desde o fim de fevereiro por civis pró-Moscou e soldados enviados pela Rússia.

No momento, o presidente do Parlamento da Crimeia, Volodimir Konstantinov, anunciou a dissolução de todas as unidades militares ucranianas com base na península.

"Aqueles (militares) que desejam viver aqui poderão fazê-lo. Examinaremos a questão entre aqueles que prestem juramento às novas autoridades", disse.

Para aumentar a tensão, o Parlamento ucraniano aprovou nesta segunda-feira a mobilização parcial das tropas para enfrentar a "ingerência da Rússia nos assuntos internos da Ucrânia".

No total, 275 deputados aprovaram a mobilização solicitada pelo presidente interino Olexander Turchynov em consequência do "agravamento da situação política no país (...) e da ingerência da Rússia nos assuntos internos da Ucrânia".

O presidente interino da Ucrânia chamou o referendo de "grande farsa" decidida no Kremlin. "A Rússia busca cobrir sua agressão na Crimeia com uma grande farsa chamada referendo, que jamais será reconhecida pela Ucrânia ou pelo mundo civilizado", declarou Turchynov aos deputados..